Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

MÚSICA - Jota Quest em São Paulo, Piauí e Brasília

A turnê de "La Plata", álbum mais recente do Jota Quest, lançado ano passado, tem percorrido o Brasil. Desde que está na estrada, a banda já passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte, Florianópolis, Salvador, Porto Alegre, Recife e Fortaleza, entre outras. Agora voltam à capital paulista e seguem para Teresina e Brasília.

Nessa sexta (26 de junho) tocam no HSBC Brasil, em São Paulo, ao lado do Rappa no Jovem Pan in Concert. Dia 4 se apresentam no Festival Piauí Pop, em Teresina e dia 5 no Festival de Inverno de Brasília.

Rogério Flausino (vocal), Marcio Buzelin (teclados), Marco Tulio Lara (guitarra), Paulinho Fonseca (bateria) e PJ (baixo) vão mostrar o repertório de "La Plata" e os grandes sucessos de seus mais de 13 anos de carreira.

A banda assina a direção do show, ao lado de Tom Andrade e do ligth designer Lino Silva, que em seu cenário traz um telão de alta definição, que ocupa todo o fundo do palco, onde são exibidos conteúdos exclusivos desenvolvidos pelo design Muti Randolph.

No set list, as novas "La Plata", "Ladeira" (em parceria com Nelson Motta), "Vem Andar Comigo", "Tudo Me Faz Lembrar Você", "So Special" e "Lap Top" além do novo single "6h30". Entre os sucessos que marcaram a carreira; "Dias Melhores", "Além do Horizonte", "O Sol", "Ja' Foi", "Encontrar Alguém", "Na Moral", "Do Seu Lado", "Amor Maior" e "Só Hoje".

Show: Jota Quest – La Plata

Dia 26 de junho – Jovem Pan in Concert – HSBC Brasil (http://hsbcbrasil.com.br)

Dia 4 de julho – Festival Piauí Pop (http://piauitour.com/piauipop/)

Dia 5 de julho – Festival de Inverno de Brasília (http://www.festivalinvernobrasilia.com.br)


Fonte: Batucada Comunicação - Assessoria de Imprensa

"A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana."
( Franz Kafka )

Sábado, 20 de Junho de 2009

TEATRO – Adorável e versátil Luisinha

Por Agustín Carvalho

(São Paulo, BR Press) – Em cartaz até 6 de setembro, no Teatro Brigadeiro, o musical O Primo Basílio, extraído da obra do português Eça de Queirós, revela a versatilidade da atriz Ligia Paula Machado. Além de ser a protagonista do espetáculo, Ligia é produtora, bailarina e cantora. No palco ou na produção, a paulistana de 22 anos mostra, com o corpo e a mente, sua alma de artista.

Desde que foi escrito, em 1878, O Primo Basílio já foi traduzido para várias línguas ao redor do mundo. Além, é claro, de ter sido utilizado como minisséries de televisão ou ter virado filme. Talvez, o fato do romance ser tão realista, e ao mesmo tempo melancólico diante da realidade dos personagens, faz com que as pessoas se vejam participantes das cenas e julguem alguns intérpretes.

Essa 'coincidência' com o real, com o que existe em nossa sociedade, faz com que todos nós façamos uma avaliação de nossos próprios sentimentos e atitudes. O amor incondicional e eterno que juramos para alguém, que nem sempre dura para sempre, ou a forma como tratamos nossos serviçais, fica exposto no espetáculo.

Se de um lado temos uma empregada fiel, de outro temos uma que gosta de fazer chantagem. Quando pensamos que temos um amigo verdadeiro para a vida inteira, de repente ele se revela nosso inimigo. Enquanto alguém nos ama profundamente, nós o traímos com alguém que sentimos extremo desejo. Essas comparações, entre felicidade e tristeza, amor e ódio, honestidade e falsidade, diversão e compromisso, ficam nítidas durante toda a apresentação. São nesses momentos que percebemos o valor e a riqueza de um belo romance, e de um belo musical.

Novo cenário, novas versões

Enquanto Eça de Queirós utilizou a sociedade lisboeta para escrever O Primo Basílio, a escritora carioca Francisca Braga adaptou a história para nossa realidade. A cidade maravilhosa não poderia deixar de ser o palco desse romance. A capital fluminense tornou-se o lugar ideal para falar sobre o triangulo amoroso vivido entre Luisa, Jorge e Basílio.

Apesar de estarmos em 2009, a obra foi transcrita para o período que compreendeu os anos de 1959 até 1961. A era de Juscelino Kubitschek, da Bossa Nova, da Música Popular Brasileira e de outros movimentos importantes da nossa cultura e política rechearam o romance basiliano tornando-o mais brasiliano.

Entre 9 de agosto e 2 de setembro de 1988 foram exibidos 16 capítulos, na Rede Globo, da minissérie O Primo Basílio. Na televisão, Giulia Gam, Marcos Paulo e Tony Ramos interpretaram, respectivamente, Luísa, Basílio e Jorge. Escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères, O Primo Basílio, a minisséire, teve direção de Daniel Filho e excelente atuação de Marília Pêra, que representou a personagem Juliana, empregada que chantageia a doce Luisinha.

Em 2007, O Primo Basílio virou filme. Com Débora Falabella (Luísa), Reynaldo Gianecchini (Jorge) e Fábio Assunção (Basílio), a película também teve direção de Daniel Filho, mas não teve tanta repercussão quanto sua versão anterior.

Composição

O musical tem em seu elenco onze atores, seis músicos, cantores e bailarinos que inspirados no movimento musical Bossa Nova, desfiam canções de gêneros como MPB, valsa, samba de breque e tango. Os instrumentos utilizados pelos músicos vão do piano de cauda, violões, violino e flauta transversal passando pelo sax e percussão.

Dirigido por Dan Rosseto, O Primo Basílio – O Musical tem, além de Ligia Paula Machado (Luisa), os atores Luiz Araújo (Basílio) e Álvaro Franco (Jorge), entre outros. A parte musical é organizada pelo maestro Dyonisio Moreno, que utiliza de seu repertório para emocionar e fazer rir os espectadores da apresentação.

Em entrevista com a reportagem da BR Press, Ligia Paula Machado falou sobre O Primo Basílio, seu quarto trabalho como produtora, teatro, profissão, além de dizer como foram a produção e os ensaios para o espetáculo.

Como é ser produtora e protagonista de um musical aos 22 anos de idade?

Desde muito cedo tenho fascínio por todo tipo de arte. Sempre estudei muito e continuo estudando, não só artes cênicas, como ballet, canto e a própria formação em fonoaudiologia. A curiosidade sobre os bastidores sempre foi algo muito presente, tanto que as pessoas comentam da minha pouca idade para produzir, mas esta é minha quarta produção. A primeira como musical e com um patrocinador tão importante.  Todo o esforço e dedicação entregues à produção e à atuação foram intensos, pois a personagem Luisa é uma mulher complexa e cheia de nuances que me exigiu muito estudo, pesquisa e longas horas de ensaio. A produção também não foi diferente, pois sou muito detalhista e gosto de supervisionar tudo. Este é um período de plena realização. Estou muito feliz.

Você conhecia a obra O Primo Basílio antes de ter recebido o convite para ser protagonista do espetáculo?

Quando li pela primeira vez O Primo Basílio, eu ainda estava no colegial. Fiquei envolvida pela trama. Li inúmeras vezes o livro, comprei a minissérie quando ficou disponível em DVD, assisti ao filme e estudei algumas teses sobre o livro e sobre a personagem Luisa.

Quais as semelhanças entre Lígia Paula Machado e Luisinha? E as diferenças?

Confesso que também sou um pouco intensa em minhas emoções como a personagem e um pouco romântica, mas mesmo encontrando pequenos pontos em comum, a Luisa é o extremo do romantismo. Justamente por se tratar de uma obra realista que faz crítica ao romantismo, muito frágil até mesmo por sua doença. A diferença principal é o fato da personagem Luisa deixar se influenciar por outras pessoas. Neste ponto acho que sou mais atenta.

Se você tivesse que interferir na obra de Eça de Queirós, o destino de Luisinha teria sido o mesmo?

Sou suspeita para falar, pois gosto muito do realismo aplicado na obra de Eça, e transformar o final em "felizes para sempre" não faria de O Primo Basílio um clássico. O fabuloso da trama é ver que mesmo o marido a perdoando, e a vilã não interferindo mais em sua vida, a culpa não permitiu que ela prosseguisse sua vida em paz.

Você tem alguma preferência por algum gênero teatral? O que há de especial em um musical?

Geralmente tenho preferência por drama, gosto de personagens misteriosos ou mesmo que tenham um percurso oscilante. Mas sou amante de todos os gêneros, tenho muita vontade de fazer uma comédia. O que gosto em alguns musicais, como O Primo Basílio, é o tom de magia que é empregado a algumas cenas. Posso falar com mais propriedade deste musical, e as cenas musicais mantêm o realismo da dramaturgia com canções leves em cenas leves do cotidiano, como as reuniões na casa de Luisa e em canções dramáticas como o rompimento de Luisa e Basílio, ou mesmo o tema da vilã Juliana.

O Primo Basílio já foi transposto para o cinema e para a televisão. Você acredita que transpor para o teatro uma obra literária é mais difícil devido às apresentações serem ao vivo?

Acredito que cada uma destas áreas tenham suas dificuldades em específico. A obra por si só apresenta uma carga dramática muito intensa e realista, o que já exige muito dos atores no palco, agora ao acrescentar a parte musical recheada por canções da Bossa Nova e MPB interpretadas pelo próprio elenco, há uma exigência ainda mais refinada.

Além de atriz, bailarina e cantora, você também produz O Primo Basílio. Como é exercer várias atividades em um mesmo trabalho?

Minha família é de artista mambembe, cresci com este exemplo de vida por isso me dediquei a várias funções na arte. Mas nunca imaginei que produziria meu próprio espetáculo de forma tão independente. É uma realização sem igual poder fazer tudo o que eu mais gosto no lugar em que mais me sinto a vontade, no palco. Trabalho com muita vontade, dedicação e amor, além de ser muito exigente, pois sei que o público também é.

Você acha que a exigência cada vez maior de novas habilidades em um artista faz com que eles se reinventem e se aperfeiçoem em novas técnicas e, consequentemente, haja uma redução no mercado de trabalho para esses profissionais?

A profissão de 'artista' apresenta muitas funções e acredito que o artista é um operário da arte e precisa se aperfeiçoar diariamente, não só o aprimoramento em sua área, mas o conhecimento em outras. O público é muito exigente e o mercado de trabalho consequentemente dará preferência a um artista mais completo, não que haja uma redução no mercado de trabalho, mas a seleção acaba sendo natural. O artista precisa de dedicação e empenho em sua profissão.

Como você vê o gênero Musical no teatro brasileiro? Acredita que nossa diversidade cultural na música pode ser aproveitada nos musicais, como a Bossa Nova, a MPB e o tango é em O Primo Basílio?

Até mesmo os produtores estrangeiros respeitam nosso cenário musical. Temos uma diversidade musical incrível e profissionais que fazem um trabalho magnífico com este material. O maestro Dyonísio Moreno, por exemplo, utilizou-se de clássicos da Bossa Nova e MPB para a composição de todos os arranjos originais neste espetáculo, já que a peça foi transposta para 1959 - Rio de Janeiro. O gênero musical no teatro brasileiro é vasto, temos muitos estilos musicais, profissionais que inovam, transformam e se especializam.

Como a equipe de O Primo Basílio tem recebido a opinião dos críticos e do público?

Respeitamos e somos muito atentos para o feed back tanto da crítica como do público. O espetáculo acabou de estrear então muita coisa ainda vai acontecer.

Qual o significado de levar uma obra literária como O Primo Basílio para o teatro?

 Levar esta obra literária para os palcos, ainda mais adaptada ineditamente para musical é consciência de uma grande responsabilidade.

Qual a importância do teatro como linguagem para influenciar novos comportamentos?

A importância é única, sem tamanho, pois o artista é um formador de opinião que tem em mãos não só o poder de dosar suas emoções para conduzir personagens como atingir a sensibilidade humana, modificar pensamentos e atitudes com exemplos concretos. A arte é um instrumento fundamental para conduzir ou influenciar o comportamento humano.

O Primo Basílio – O Musical é composto por vários gêneros teatrais. Entre eles podemos observar o romance, a comédia, a tragédia e, possivelmente, a tragicomédia. Como você avalia essa versatilidade no musical?

Com a direção de Dan Rosseto todos estes gêneros foram mantidos diante do caráter realista original de Eça, justamente para compor as máscaras da burguesia e os personagens tão heterogêneos. Os personagens transitam por estes gêneros na peça, dividida em dois atos: a primeira parte do espetáculo é mais leve com tons mais recheados de comédia e romance. A segunda parte é mais densa na qual começa o sofrimento de Luisa com as ironias e chantagens da personagem Juliana.

O que o espectador vai encontrar no musical O Primo Basílio que ainda não viu no livro, na minissérie e no filme?

Uma história moderna, com clássicos da Bossa Nova e MPB, e interpretadas pelos personagens da trama, ao vivo, com músicos que interagem com a história no palco. Coreografias de tango, ballet e samba de gafieira. Uma produção que aposta na junção do cenário musical brasileiro com obras literárias no palco. 

Sessões: sextas-feiras e sábados, às 20h30; domingos, às 19h. Em cartaz até 6 de setembro.
Ingressos:
R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (estudantes, aposentados, professores e classe artística).
Teatro Brigadeiro, Av. Brigadeiro Luís Antonio, nº 884, Bela Vista, São Paulo. (11) 3115.2637.


Agustín Carvalho
Repórter BR Press / Yahoo! Entretenimento
8159-4557 / 6743-1301
skype: agustin.reporter

"A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana."
( Franz Kafka )

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Susan Boyle: um alerta à era das celebridades

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - A ascensão vertiginosa de Susan Boyle de desempregada escocesa que trabalhava como voluntária na igreja à superestrela global teve um preço e está sendo vista como história que encerra lições para a era das celebridades.

A performance da cantora de 48 anos cantando "I Dreamed a Dream" no programa de calouros "Britain's Got Talent" em abril foi baixada quase 200 milhões de vezes na Internet, e em questão de dias Boyle estava fazendo manchetes em todo o mundo.

Equipes de TV acamparam diante da casa onde ela vivia sozinha com seu gato, os apresentadores Larry King e Oprah Winfrey a convidaram para seus programas de TV nos EUA, e os tablóides passaram a seguir cada passo que ela dava.

Mas, à medida que a pressão sobre ela aumentava antes da final do programa, no sábado, na qual Boyle era vista como favorita absoluta para vencer, a cantora teve um acesso de raiva e ameaçou desistir de concorrer.

No domingo, depois de sua derrota inesperada pela trupe de dança Diversity, a cantora foi internada numa clínica de Londres que trata pessoas com problemas de saúde mental, sofrendo de exaustão. O tablóide The Sun informou que ela teria tido "um colapso emocional".

David Moxon, psicólogo especializado em estresse, comentou: "Ser famoso não é tudo o que dizem, e a ideia de que você possa ter uma vida pessoal e também uma vida na mídia muitas vezes é conflitante".

"Deve ser difícil ser perseguida pelas pessoas quando se caminha pela rua."

"Não acho que Boyle tenha procurado propositalmente virar celebridade. Ela foi motivada pelo amor pelo canto, e essa é a parte triste dessa história, que mostra que a fama cobra seu preço."

Moxon e outros disseram que é impossível prever a reação que as pessoas terão diante da pressão. O fato de Boyle ter sofrido falta de oxigênio ao nascer, levando a dificuldades de aprendizado, como revelou o jurado do programa Piers Morgan, pode ter afetado sua capacidade de lidar bem com a pressão.

REAÇÃO CONTRÁRIA

Especialistas indagam se programas como "Britain's Got Talent" e "American Idol" não seriam desnecessariamente crueis.

O jurado Simon Cowell, em particular, é conhecido pela aspereza com que critica alguns artistas menos talentosos, às vezes sob os olhares de dezenas de milhões de pessoas.

Uma das finalistas ao lado de Boyle, Hollie Steel, de 10 anos, chorou enquanto se apresentava na semifinal e suplicou para que lhe deixassem tentar novamente. Para muitos, era jovem demais para participar do programa.

E uma candidata potencial ao "American Idol" ridicularizada por Cowell após sua audição teria cometido suicídio em novembro diante da casa da jurada Paula Abdul.

O jurado Piers Morgan comentou: "Não há nada que os britânicos --e eu sou tão culpado quanto todos-- gostem mais do que criar um grande hype em torno de pessoas e depois derrubá-las ao chão".

A aparência desarrumada de Boyle e seu jeito idiossincrático desafiaram a ideia que as pessoas fazem de como deve ser uma celebridade, levando comentaristas a indagar por que as pessoas ficaram tão surpresas pelo fato de uma mulher descrita como "desleixada" e "anjo peludo" pudesse ser tão talentosa.

Embora ela não tenha saído vencedora do "Britain's Got Talent", e apesar das dúvidas quanto a sua capacidade de lidar bem com pressões, os especialistas prevêem um futuro brilhante para a cantora.

Em meio a relatos de que a gravadora de Simon Cowell estaria prestes a fechar um contrato com Susan Boyle, o jurado Piers Morgan disse: "Prevejo que dentro de alguns meses ela terá um álbum saindo e tendo vendas enormes, e que outros virão depois".

Os corretores de apostas britânicos já estão aceitando apostas de que Boyle gravará uma canção que será No.1 nas paradas britânicas e americanas e que ela aparecerá num musical no West End londrino até o final do ano.

Sábado, 23 de Maio de 2009

CINEMA- Eles pensam na Mostra

O ano de 2008 foi excepcional para o cinema brasileiro. A sua diversidade teve reconhecimento mundial e o Brasil foi país convidado em diversos festivais internacionais de cinema ao longo do ano.

No Festival de Berlim, o Urso de Ouro ficou com Tropa de Elite, de José Padilha. Em Cannes, Fernando Meirelles abriu o festival com o poderoso Ensaio Sobre a Cegueira, co-produção do Brasil com o Canadá; e a dupla Daniela Thomas e Walter Salles fechou Cannes com a vitória de Linha de Passe e o prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni.

Em Veneza, uma outra produção brasileira, com o tema da cegueira foi o filme de abertura. Dessa vez, com o curta Do Visível ao Invisível, dirigido pelo mestre português Manoel de Oliveira, e produzido
pela própria Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Mundo Invisível é o título do longa-metragem que será completado por vários diretores internacionais, a exemplo da produção anterior da Mostra, Bem-Vindo a São Paulo. Em ambas, a contribuição do olhar estrangeiro para vermos com mais clareza o nosso próprio meio.
Ainda em Veneza, foi uma co-produção Brasil-Itália, Terra Vermelha, de Marco Bechis, quem melhor revelou a contribuição do olhar estrangeiro para o nosso próprio entendimento. O filme ítalo-brasileiro inaugura a 32ª Mostra Internacional de Cinema.

E São Paulo é cenário perfeito para todos estes encontros culturais. Aqui, a cultura milenar do Japão torna-se centenária. Celebramos o centenário da Imigração Japonesa ao Brasil com a apresentação de uma retrospectiva dedicada a Kihachi Okamoto, mestre resgatado, e somos brindados pela extraordinária arte de Tomie Ohtake, que desenha as novas identidades da Mostra. Assim como Tomie, a cara da Mostra também é formada pelo cinema sempre instigante de Wim Wenders. É ele o cineasta mais presente e seguido ao longo de toda a história da Mostra. (como Oliveira). Carta branca a Wim Wenders e à seleção de filmes que ele escolheu especialmente para a Mostra. E ouvidos atentos a Maria de Medeiros, atriz e diretora, que vem cantar o melhor da música popular brasileira criado nos anos da ditadura militar. Novamente a boa contribuição da percepção estrangeira.

Gostamos muito de contribuir com as visões do mundo para torná-lo mais visível e compreensível. Por isto esta seleção anual de filmes da maior abrangência e de intensas inquietudes. Cinema para abrir os olhos e apaziguar os espíritos. De tolerância e de inconformismo. Da diversidade, como bem prega agora o cinema brasileiro que nos projeta a um mundo pleno de curiosidade. Esperamos (e temos) o reconhecimento, assim como uma significativa parcela do mundo deposita agora em nós, com a 32ª Mostra, suas esperanças de visibilidade e reconhecimento.

Fonte: Renata de Almeida e Leon Cakoff

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

POLÍTICA - Memórias Reveladas

Brasil lança portal com arquivos da ditadura militar

O presidente Lula inaugurou oficialmente o Memórias Reveladas, um website onde, pela primeira vez, são disponibilizados ao público os arquivos secretos do período da ditadura militar no Brasil, informa a Agência Brasil.

O arquivo virtual, que traz informações do período de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985, contém documentos, vídeos, fotos e uma banco de dados sobre o período, entre outros materiais. Já foram disponibilizados "documentos, que faziam parte dos arquivos dos extintos Serviço Nacional de Informação (SNI), Conselho de Segurança Nacional (CSN), Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e outros órgãos", explica a Agência Brasil.

Segundo o diretor geral do Arquivo Nacional, Jaime Antunes Silva, qualquer pessoa que tiver documentos relacionados à ditadura pode colaborar com o portal através de doações ou permitindo que os documentos sejam reproduzidos, acrescenta a Agência. O doador poderá pedir anonimato.

Para ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o portal acaba com a "cultura do segredo de Estado".

De acordo com o Estadão, a iniciativa deve ser comemorada "não só pelo motivo óbvio - o de tornar públicos os arquivos secretos da ditadura que acaso ainda existam -, mas sim por assegurar um direito fundamental da cidadania, dando condições para o cidadão tomar conhecimento daquilo que lhe interessa saber, e que está sob guarda do Estado".

TEATRO – Satyros traz LIZ para SP

O SESC Paulista apresenta até 31 de maio, de sexta á domingo, às 21h30, o espetáculo LIZ. Baseado na vida de Elizabeth I, a peça tem como objetivo mostrar a vida na realeza, as tensões e as fragilidades da rainha que teve seu poder comparado ao de Deus.

Premiada em Cuba, onde virou especial televisivo, "LIZ critica o poder, a cultura e as verdades oficiais", de acordo com Alberto Guzik, um dos atores da peça. A musicalidade do espetáculo cria elementos de transição em cada personagem, cuja linguagem e mensagem transmitida ao público serve como referencia de comportamento.

Utilizando-se de um tom farsesco e de abstrações, a peça propõe uma profunda reflexão sobre a tristeza, a solidão e os erros implícitos dos governantes. Os personagens Raleigh e Marlowe fundam um antro de perversão, onde questionam a anestesia de Deus e a soberania de Elizabeth I.

Inédita e colorida

Escrito pelo dramaturgo cubano Reinaldo Montero, LIZ é o primeiro texto de origem cubana montado pelo Satyros, cuja direção é de Rodolfo García Vázquez, fundador dos Satyros, em São Paulo. Antes de vir para o Brasil, a peça já estava sendo encenada em Havana, capital de Cuba, onde foi eleita uma das melhores peças estrangeiras do ano, levando o Prêmio Villanueva.

Apesar de falar sobre temas sombrios, tristes, solidão e os erros dos governantes da terra e do céu, o espetáculo é cheio de cores e luzes por causa da vontade do elenco. O espetáculo é irreverente e transmite uma mensagem de superação dos personagens diante de determinados obstáculos.

"Teria tudo para ser escura, híbrida, triste. Nós a quisemos colorida. Trágica, mas esperançosa. No cenário, bambolinas se transformam em colchas de retalhos. Na trilha sonora, Janis Joplin, Velvet Underground, Roberto Carlos, Beatles. No coração dos atores, desejo de criar um espetáculo poderoso, intenso, inteiro", comenta Ivam Cabral.
Cléo De Páris, Ivam Cabral, Fábio Penna, Germano Pereira, Brígida Menegatti e Alberto Guzik, entre outros, fazem parte do elenco durante os 80 min de apresentação desse drama cubano.

Sessões: Sexta à domingo, ás 21h30. Até 31 de maio.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira); R$ 10,00 (meia-entrada); R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços).
SESC Avenida Paulista, av. Paulista, 119, Paraíso, São Paulo. 3179.3700.

TEATRO – Francis Bacon por um francês

 
No Ano da França no Brasil, quem recebe as homenagens é um pintor irlandês. Personagem do espetáculo DesFigura, Francis Bacon tem sua vida e obra roteirizadas pelo romancista francês Pierre Charras. A peça está em cartaz no Espaço Parlapatões, sempre aos sábados, por volta da meia-noite, até 13 de junho.
 
Ao entrar no Espaço Parlapatões, a impressão é que veremos um belo espetáculo. A beleza está no cenário da peça. Com objetos vermelhos, pretos, um espelho, uma cadeira e uma passarela que percorre todo o palco, além de, supostamente, uma garrafa de champanhe, Edi Botelho dialoga com o público e com o bailarino Charles Fernandes como se fosse Francis Bacon. A linguagem utilizada na apresentação e a ordem das cenas confundem o público. Foi possível ouvir, enquanto o público deixava o Espaço, a idéia de frustração.
 
Durante os 70 minutos da apresentação, os 28 espectadores foram testemunhas das esquetes que tinham por objetivo revelar impressões, sentimentos, relacionamentos familiares e profissionais de Bacon. Quando as cenas mudavam de sentido, ouvia-se a narração de Ney Latorraca.
 
Nem mesmo o reconhecimento de Latorraca foi suficiente para impedir que uma mulher apavorada com as possíveis cenas de nudez deixasse, nos primeiros minutos da peça, o Espaço Parlapatões. A tal cena nem aconteceria, apesar do "beijo gay" entre Edi e Charles, ou melhor, Francis Bacon e sua figura humana ideal.
 
Temático
 
A diversidade das obras produzidas por Francis Bacon serve como espelho de suas próprias experiências de vida. Assim como em DesFigura, Bacon sempre procurou mostrar a imagem humana em sua essência. O pintor jamais escondeu do público e dos críticos o desejo em representar como os corpos se encontram em determinado espaço. Longe de certos esteriótipos, Francis não tinha medo do que os outros diriam de suas produções. "Se eu não pintasse, eu seria um delinqüente", afirmava o artista.
 
A prostituição, a pedofilia, a tensão homoerótica, o sexo e a religião, por exemplo, foram alguns dos assuntos abordados nas pinturas de Bacon para representar a busca do homem em transgredir alguns valores para atingir certa liberdade. As pinturas dele, quase sempre, eram entendidas como vontades individuais, já que ele também fazia parte das situações que retratava.
 
Frequentar clubes gays para fixar imagens de relacionamentos homossexuais era uma das atividades do pintor irlandês. Quase embriagado, Bacon ia para casa, e na solidão humana, começava a por na tela as imagens que ainda lembrava, antes que a ressaca o fizesse dormir. Quem assiste ao espetáculo DesFigura observa essa passagem sobre a vida e o trabalho de Bacon, uma figura emblemática na história recente da pintura mundial, e 'vítima' do fenômeno Pablo Picasso.
 
Dirigido e adaptado por Regina Miranda, DesFigura foi traduzido pelo ator Edi Botelho, que interpreta Francis Bacon, e tem performance de Charles Fernandes, além da narração do ator Ney Latorraca.

Sessões: sempre aos sábados à meia-noite. Até 13/06.
Ingressos: R$ 30,00 (inteira); R$ 15,00 (estudantes e aposentados).
Espaço Parlapatões - Praça Franklin Roosevelt, nº158, Centro, São Paulo. 3258.4449.

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

MEIO AMBIENTE - S.O.S Pantanal

O desrespeito às leis ambientais e o uso desordenado de recursos naturais do pantanal provocam mudanças graves no equilíbrio da região. Uma das principais mudanças vem ocorrendo na circulação da água dentro do ecossistema e o que provoca isso é a agricultura praticada em larga escala. "O Pantanal é uma planície alagável, sua área inundada aumenta e diminui conforme os períodos de seca e de chuva. Mas a agricultura em larga escola está mudando esse padrão – que chamamos de pulso de inundação. Essa prática aumenta a compactação do solo e intensifica o assoreamento, pois leva sedimentos para dentro dos rios", diz Paulo Teixeira Júnior, professor de Química Orgânica e gestor do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP).

Essa é uma das conclusões da expedição científica realizada no Pantanal Mato-grossense realizada pelo CPP. Durante uma semana, numa viagem de barco pelos rios Cuiabá, São Lourenço e Rio Paraguai, um grupo de especialistas brasileiros e de origem australiana, chinesa e africana trocaram experiências sobre diversos aspectos ambientais e sociais relacionados com a conservação da biodiversidade e qualidade de vida das populações tradicionais e povos indígenas que vivem na planície pantaneira. Essa foi a primeira vez que a expedição aconteceu no Brasil e teve apoio financeiro do governo do Estado do Mato-Grosso.

Em loco foi possível verificar processos de assoreamento nos rios pelos quais o grupo passou. Segundo relatório da expedição, esse processo de erosão e assoreamento hoje está ocorrendo em todos os rios do Pantanal, especialmente o São Lourenço e o Vermelho, além dos rios Cuiabá e Taquari. A equipe chamou esse grave processo de impacto ambiental de larga escala de "Taquarizaçao" do Pantanal.

"Prevejo um futuro sombrio se nada for feito nas cabeceiras dos rios que deságuam no Paraguai em Mato Grosso", avalia a pesquisadora Emiko Resende, da Embrapa Pantanal. A construção de hidrelétricas colabora para piorar o problema. Para os estudiosos da expedição, é preciso haver uma análise mais acurada antes de ser feita a concessão para instalação dessas usinas. Há casos em que o custo ambiental e social das usinas é tão alto que ultrapassa os benefícios da geração de energia.

A pressão sofrida pelo aumento da pesca esportiva e a intensificação da pecuária são outras situações que alarmaram os pesquisadores. Eles defendem que haja um planejamento melhor para que as populações tradicionais não sejam prejudicadas. "O modelo de pecuária praticado pelos pantaneiros está perfeitamente integrado ao ecossistema, enquanto os sistemas intensivos podem comprometer de forma definitiva o habitat de diversas espécies de animais e plantas", comenta Paulo Teixeira de Sousa Jr. Ele também lembra que é preciso criar um modelo de navegação e transporte de cargas que seja compatível com as características naturais de navegabilidade do Rio Paraguai, sob pena de haver comprometimento de toda a fauna e flora existentes nesses cursos d´água.

O levantamento ganha ainda mais importância dentro da atual ameaça de escassez de água no mundo inteiro. O Pantanal é uma área úmida, um tipo de ecossistema que tem papel importante na manutenção dos estoques de água. "As áreas úmidas funcionam como esponjas. Elas absorvem a água e depois fazem a conexão para o lençol freático, promovendo a sua redistribuição", explica a pesquisadora Cátia Nunes, doutora em ecologia e conservação de recursos naturais.

Os participantes da expedição assinaram um documento que deve ser enviado ao governo do Estado com sugestões de medidas a serem adotadas para proteger o Pantanal. "Os aspectos socioeconômicos das alternativas de gerenciamento devem ser consideradas e as negociações devem ser feitas entre vários grupos de pessoas que vivem na área ou a utilizam comercialmente. É difícil conciliar os interesses, mas prioridades precisam ser escolhidas", diz Hana Cizkova, do Instituto de Sistemas Biológicos e Ecológicos, da Academia de Ciências da República Checa.

Também participaram da Expedição, os pesquisadores Fábio Costa, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul; Geraldo Damasceno, Arnildo Pott e Vali Joana Pott, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul; José Augusto Ferrax, do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense; Luisa Fernanda Ricaurte, da Universidade de Constaz; Marinez Marques, da Universidade Federal de Mato Grosso; Max Finlayson, da Universidade Charles Sturt, Austrália; Shuquing An, da Universidade de Nanjing, China; Stephen Mitchell, da Comissão de Pesquisas sobre a Água de Petrória, na África do Sul; Walfrido Moraes, da Embrapa Pantanal; e Wolfgang Junk, da Núcleo de Estudos Ecológicos do Pantanal e do Centro de Pesquisa do Pantanal.

Fonte: Golden Light Business*
Da redação com informações da assessoria de imprensa

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

HISTÓRIA - Tecnologia a serviço da memória

Tecnologia a serviço da memória
 
Por Agustín Carvalho
       Fernanda Morales
       Mariana Blessa

 
Enquanto as vítimas da Ditadura Militar lutam para superar os traumas sofridos entre os anos de 1964 e 1985, os visitantes que vão ao Memorial da Resistência, em São Paulo, ficam convencidos de que as lembranças são fortes argumentos para não permitir que um período tão repressor mude os rumos da nossa democracia.
 
Localizado no bairro da Luz, o Memorial da Resistência, que inicialmente levava o nome de Memorial da Liberdade, foi Inaugurado em 2002. Se antes o prédio abrigava prisão para revoltosos políticos e o arquivo do DEOPS/SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), atualmente o espaço recebe curiosos interessados em aprender mais sobre o período no qual o país ficou sob o julgo dos militares, além de descobrir as situações em que viveram homens e mulheres que lutaram pela liberdade de expressar seus ideais.
 
Monitor do memorial há um ano, Alcides Soares, 33, fala sobre a importância que o local tem para o aprendizado desse período da história política e social do Brasil. "Quando eu morava em Salvador, achava que a Ditadura Militar era outra coisa. Então comecei a trabalhar no Memorial e vi que era tudo diferente", lembra o funcionário. "Saber que os imigrantes que vinham para o país eram perseguidos, principalmente os japoneses, é muito importante", comenta sobre a atual mostra em exposição no Memorial.
 
Dividido em quatro espaços temáticos, o Memorial da Resistência apresenta acervo histórico suficiente para mostrar, com o auxilio da tecnologia e através da digitalização de documentos, arquivos de áudio e vídeo, uma história pouco contada em sala de aula. "Aqui você vai encontrar os espaços: o Edifício e suas Memórias; a Construção da Memória; A Carceragem e o Centro de Referência", explica Alcides.
 
Pirotecnia
 
Professora de História Contemporânea da Universidade Anhembi Morumbi, Maria de Lourdes acha o projeto importantíssimo para ressaltar a perseguição de brasileiros e imigrantes contrários ao regime militar, porém, afirma que o apelo do Memorial deveria ser outro. "Acho ridículo porque é muito pirotécnico com toda aquela iluminação e celas pintadas".
 
Nas paredes de algumas celas é possível ver alguns nomes de ex-presos políticos. Nomes que foram gravados depois que houve uma reestruturação do espaço para receber turistas e paulistanos interessados no tema da resistência. Todas as mudanças, como a implantação de ar-condicionado, servem para dar conforto aos visitantes, além de promover interatividade.
 
De acordo com Maria de Lourdes, "a tecnologia é maravilhosa, desde que saibamos usá-la. Há um mundo para pesquisar na internet, só que ninguém sabe. Então teria um mundo a explorar nesses museus, um mundo revestido de tecnologia. Uma coisa que eu acho fundamental e não abro mão é de ler um livro".
 
Cela como sala de aula
 
"Aqui há uma cela para mostrar. É muito mais fácil para os alunos entenderem do que explicar tudo o que aconteceu em sala de aula. Então percebemos que eles têm essa facilidade de aprender quando estão olhando a situação e convivendo com ela, que é o que a situação faz, o que o Memorial da Resistência consegue fazer", disse o professor de Sociologia da Escola Carmosina, na Vila Medeiros, zona norte da capital paulista, Joelson Fernandes, sobre transferir a sala de aula para o memorial.
 
Fernandes comenta que "em cada turma do ensino médio é possível falar sobre o militarismo no Brasil. Desde questões como esquerda, direita ou cidadania. Tinham leis que proibiam a tortura, mas isso acontecia de maneira comum. No primeiro ano a gente trabalha essa questão de Desnaturalização", comenta o professor.
 
"Esse pessoal que procurou a resistência tinha estranhamento da realidade. Então de alguma forma eles lutavam contra essas ideias. Eles sofriam por isso, mas sabiam que estavam promovendo algo que seria bom para as pessoas do futuro. Era uma luta onde estava claro o que poderia acontecer com eles, mesmo assim não deixaram de lutar pelos seus ideais", afirmou Joelson.
 
Após o término da Ditadura Militar, muitos ex-presos políticos jamais foram encontrados. Os dias de terror vividos nas celas do DEOPS/SP, hoje Memorial da Resistência, podem ser presenciados devido à estrutura do museu. Objetos decorativos, assim como colchões, representam o cotidiano de muitos cidadãos vítimas da ditadura. "É tristeza. É complicado imaginar tudo isso que eles passaram, e ao mesmo tempo é bem irreal, porque é muito longe da nossa realidade", conta a estudante de Serviço Social da PUC-SP, Beatriz Azevedo, de 23 anos.
 
Na Universidade, Beatriz convive com dois personagens da resistência em sala de aula. "Eles passam a idéia de que foi uma época de terror absoluto, afirmam não saber exatamente o que aconteceu com eles, houve tortura psicológica. Apenas ouviam a voz do torturador, e essa voz os atormenta até hoje", explicou a estudante.
 
Nova vida
 
Vinte anos foram necessários para que o Brasil desenvolvesse um novo projeto de constituição, tirando de cena atos institucionais, medidas provisórias, entre outros projetos vigentes na época da ditadura. Apesar da defasagem de nossas instituições e cargos públicos, é preferível essa democracia corrupta a uma ditadura opressora. Se a função do Memorial da Resistência é reforçar o quanto negativo essa época foi para a sociedade brasileira, este objetivo foi alcançado.
 
"A sociedade tinha um pensamento conservador. Não era simplesmente uma ação política, mas também uma ação social. A Ditadura Militar trazia para as pessoas certa segurança invisível", concluiu Fernandes.

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

CINEMA- Entrevista com Hugh Jackman Wolverine

Qual foi sua reação quando recebeu a notícia de que o filme havia sido pirateado e estava disponível na internet?
Hugh Jackman - Primeiro achei que era uma piada, parece inacreditável. Mas depois pensei nos caras trabalhando nos efeitos especiais ralando a noite inteira para deixar o filme perfeito. A palavra é frustrante.

Ter uma versão por aí inacabada…
Jackman – Sim, e que você não quer que ninguém veja. Mas sou otimista. Uns dois dias depois de estar chateado, me liguei que o filme foi feito para ser visto na telona, para os fãs que estão esperando ansiosamente por esse momento. E se as pessoas que baixaram da internet são também fãs, acho que eles vão ao cinema de qualquer maneira. Tem aquele clima de estar dentro do cinema, com os amigos, vibrando... Uma diversão que, na minha opinião, não dá para ser reproduzida numa tela de computador com uma versão inacabada.

O que fez com que quisesse ser um dos produtores do filme?
Jackman - Acho que se alguém tem o direito de dizer quem Wolverine é, esse alguém sou eu [risos]. Mas o motivo foi o personagem, queria manter sua integridade e história. Achei que em "X-Men 3", o personagem não tinha mais a mesma garra, e eu queria algo mais ousado, mais poderoso. Os fãs o descrevem assim, e me parece adequado. Queria ver isso se desenvolver.

Como produtor, o que você aprendeu sobre o mercado cinematográfico que ainda não sabia?
Jackman - O que descobri e me surpreendeu foi a economia da indústria cinematográfica. Ela é realmente fascinante. Quando reparei, estava cada vez mais envolvido. Bem, sou filho de um contador e, praticamente, levei 40 anos para perceber que tinha um pouco desse lado em mim [risos].

Que dieta seguiu durante sua preparação física?
Jackman -
Aprendi que, para qualquer tipo de corpo que você queira criar, 70% é dieta e 30%, malhação. Sempre pensei que fosse o contrário. Mas, para criar musculatura, comia dois peitos de frango mais um prato de vegetais a vapor, e duas horas depois começava tudo de novo. Estava sempre digerindo. Parecia ter sempre um prato de comida na mão, o que virou motivo de gozação entre a equipe. Depois, passei para a fase de comer porções menores, e foi impressionante como aumentou minha energia. Não via a hora de treinar. Agora mantenho a mesma dieta, como cinco ou seis pequenas refeições ao dia, e sinto a diferença. Fico mais disposto e com energia.

O que mais curte na vida?
Jackman - A minha família em primeiro lugar. Mas curto muito também comer [risos]. Claro que não da forma como comi durante o tempo de dieta para o filme, pois apesar de comer muito, não era nada do que queria. Tipo um bom chocolate amargo [risos]. Outra coisa que amo muito é o mar. Adoro lidar com pessoas, e viajar tem sido uma alegria na minha vida, pois acabo conhecendo gente das mais diferentes partes do mundo. Sou também um amante de filosofia, que para mim é amor à sabedoria. Quem somos e por que estamos aqui sempre foram perguntas que fizeram parte de mim.
Qual é a sua filosofia?
Jackman - Me interessa a filosofia da vida que te faz feliz. Acho que alegria e felicidade são o nosso estado natural, mas que no dia-a-dia esquecemos que existem. Procuro as chaves que me ajudam a encontrar esse estado de espírito. A meditação me ajuda. Medito duas vezes por dia, e percebo como mudou para melhor a minha vida.

Você tem boas lembranças da sua viagem ao Brasil (em 2001, o ator esteve no país divulgando o filme "Swordfish – A senha")?
Jackman – Sim, muitas. Amei o Brasil, me lembra muito a Sydney. Não vejo a hora de voltar.
 
Fonte: G1

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