sábado, 10 de outubro de 2009

The Wall Street Journal Europe, 09 Oct 2009. Pages 8 - 9




The Wall Street Journal Europe
09 Oct 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Resenha - Preconceito lingüístico (Marcos Bagno)

BAGNO, Marcos. Preconceito lingüístico – o que é, como se faz. 15 ed. Loyola: São Paulo, 2002

Marcos Bagno, mineiro de Cataguases, é autor de livros infantis, juvenis e, além disso, já escreveu um livro de contos, A invenção das horas, ganhador do IV Prêmio Bienal Nestlé de Literatura em 1988. Em o Preconceito Lingüístico – O que é, como se faz - publicado em 1999 pela editora Loyola, Bagno traz uma discussão sobre as implicações sociais da língua. Ele já havia discutido em seu livro A língua de Eulália, Novela Sociolingüísticaa forma preconceituosa com que a língua é tratada na escola e na sociedade e, no Preconceito Lingüístico, retoma essa discussão.

Na edição mais atual de seu livro (15ª), encontrei algumas modificações significativas em comparação com a primeira edição. Segundo o autor, essas mudanças devem-se à vontade de manter o livro sempre atualizado, sintonizado com a evolução e a maneira de ver as coisas; com as críticas, sugestões e comentários que o trabalho recebe. Dentre as mudanças, destaco o acréscimo de um capítulo final - O Preconceito contra a lingüística e os lingüistas, o anexo de uma carta de Bagno à Revista Veja, e a história da capa do livro.

Bagno recusa a noção simplista que separa o uso da língua em " certo" e " errado" , dedicando-se a uma pesquisa mais profunda e refinada dos fenômenos do português falado e escrito no Brasil.

Ao mesmo tempo, convida o leitor a fazer um passeio pela mitologia do preconceito lingüístico, a fim de combater esse preconceito no nosso dia-a-dia, na atividade pedagógica de professores em geral e, particularmente, de professores de língua portuguesa. Para isso. O autor analisa oito mitos inseridos no primeiro capítulo do livro A mitologia do preconceito lingüístico.

No Mito nº 1 – A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente, em que o autor fala da diversidade do português falado no Brasil e destaca a importância de as escolas e todas as demais instituições voltadas para a educação e a cultura abandonarem esse mito da unidade do português no Brasil e passarem a reconhecer a verdadeira diversidade lingüística de nosso país Qualquer manifestação lingüística que escape desse triângulo escola-gramática-dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito lingüístico, " errada" , como Bagno discute no Mito nº 4 – As pessoas sem instrução falam tudo errado.

No Mito nº 2 – Brasileiro não sabe português / Só em Portugal se fala bem português, o autor faz uma longa análise levando em conta a história desses dois países e desmistifica mais esse preconceito. Quanto ao ensino do português no Brasil, questão também abordada no Mito nº 3 - Português é muito difícil, o problema é que as regras gramaticais consideradas " certas" são aquelas usadas em Portugal, e como o ensino de língua sempre se baseou na norma gramatical portuguesa, as regras que aprendemos na escola, em boa parte não correspondem à língua que realmente falamos e escrevemos no Brasil. Por isso achamos que português é uma língua difícil. O mito no. 4, Brasileiro não sabe português afeta o ensino da língua estrangeira, pois é comum escutar professores dizer: os alunos já não sabem português, imagine se vão conseguir aprender outra língua, fazendo a velha confusão entre a língua e a gramática normativa.

Bagno, no Mito nº 5 – O lugar onde melhor se fala português no Brasil é o Maranhão, diz ser este um mito sem nenhuma fundamentação científica, uma vez que nenhuma variedade, nacional, regional ou local seja intrinsecamente " melhor" , " mais pura" , " mais bonita" , " mais correta" do que outra.

Mais um preconceito analisado é a tendência muito forte, no ensino da língua, de obrigar o aluno a pronunciar " do jeito que se escreve" , como se fosse a única maneira de falar português, Mito nº 6 – O certo é falar assim porque se escreve assim.

Mito nº 7 – É preciso saber gramática para falar e escrever bem. Segundo o autor, é difícil encontrar alguém que não concorde com esse mito. Que se invalida, entre outras razões, pelo simples fato de que se fosse verdade, todos os gramáticos seriam grandes escritores, e os bons escritores seriam especialistas em gramática. A gramática, na visão do autor, passou a ser um instrumento de poder e de controle.

O último Mito – O domínio da norma culta é um instrumento de ascensão social, que fecha o circuito mitológico, tem muito a ver com o primeiro, pois ambos tocam em sérias questões sociais. Bagno diz que o domínio da norma culta nada vai adiantar a uma pessoa que não tenha seus direitos de cidadão reconhecidos plenamente e que não basta ensinar a norma culta a uma criança pobre para que ela " suba na vida" Precisa haver um reconhecimento da variação lingüística, porque segundo o autor, o mero domínio da norma culta não é uma fórmula mágica que, de um momento para outro, vai resolver todos os problemas de um indivíduo carente.

No capítulo II O círculo vicioso do preconceito lingüístico, o autor explica que os mitos analisados no capítulo I são perpetuados em nossa sociedade por um mecanismo de círculo vicioso do preconceito lingüístico e demonstra como o procedimento de muitos profissionais colabora para a manutenção da prática de exclusão.

No Capítulo III A desconstrução do preconceito lingüístico Bagno discute a ruptura do circuito vicioso do preconceito lingüístico, afirmando que a norma culta é reservada, por questões de ordem política, econômicas, sociais e culturais, a poucas pessoas no Brasil.

Discute, por exemplo, a mudança de atitude do professor que deve refletir-se na não-aceitação de dogmas, na adoção de uma nova postura (crítica) em relação a seu próprio objeto de trabalho: a norma culta. Essa mudança, do ponto de vista teórico, poderia ser simbolizada numa troca de sílabas: ao invés de rePEtir alguma coisa,o professor deveria reFLEtir sobre ela.

Neste mesmo capítulo o autor discorre sobre o que é ensinar o português; o que é erro; a paranóia ortográfica (procurar imediatamente erros na produção de um aluno). Reconhece que o preconceito lingüístico está aí, firme e forte, e que mudanças só acontecerão quando houver uma transformação radical do tipo de sociedade em que estamos inseridos.

No último capítulo ( IV) O preconceito contra a lingüística e os lingüistas, Bagno discute o ensino da gramática tradicional. Sua crítica diz respeito aos conceitos da gramática tradicional, estabelecidos há mais de 2.300 anos. Levanta novamente a questão das mudanças, reconhecendo que o novo assusta, subverte as certezas e compromete as estruturas de poder e dominação há muito vigentes.

Editor

Agustín Carvalho

sábado, 29 de agosto de 2009

A cidade do futuro está em construção na Coreia do Sul!

New Songdo é uma utopia para uns, um sonho para outros. Veja neste artigo como o projeto desta cidade é ambicioso.
Veja o vídeo:  New Songdo City

Imagine que você está em uma casa com sensores de pressão no chão que acionam ajuda automaticamente no caso de uma queda. Ou então, no seu quintal, uma lixeira identifica quando uma garrafa está sendo reciclada e recompensa o dono da residência por isso. Consegue imaginar uma cidade onde uma infinidade de serviços pode ser executada com o celular?

Estes são apenas alguns dos mais básicos atrativos de New Songdo, uma cidade que já está em construção na Coreia do Sul. A inauguração está prevista para o ano de 2015. O planejamento da cidade é liderado por John Kim – ex-projetista-chefe do Yahoo! – e reúne, no mesmo lugar, um pólo econômico, sustentável, tecnológico, confortável e totalmente planejado. Tudo se junta no que promete ser a comunidade mais dinâmica, vibrante e digitalizada de todo o planeta.

O conceito de U-City

New Songdo é uma tentativa de colocar na prática o conceito de Ubiquitous City (U-City), traduzido livremente como cidade ubíqua. Um ambiente ubíquo é aquele onde toda tecnologia de informação está aplicada e todos os sistemas estão interligados. Esta conexão pode ser feita de diferentes maneiras, desde simples redes sem fio até identificação por frequência de rádio.

Em outras palavras, um ambiente ubíquo pode ser usado facilmente, convenientemente e com segurança por qualquer pessoa a qualquer hora e em qualquer lugar. E, é verdade, um ambiente ubíquo também pode ser chamado de onipresente. Casas, hospitais, empresas e outras esferas compartilham dados. Computadores e chips estão presentes em residências, ruas e escritórios.

New Songdo é a cidade ubíqua mais avançada do mundo sendo construída do zero. Não é a primeira cidade ubíqua da Coreia do Sul, no entanto. Dongtan, por exemplo, já oferece diversos serviços interligados de um ambiente. Mas New Songdo é considerada diferente pela aplicação do U-City em toda cidade e pelo aspecto global de negócios, uma vez que a cidade quer atrair companhias do mundo todo para a consolidação de um avançado complexo empresarial.

Localização e habitantes

A área de construção ocupa seis quilômetros quadrados (equivalente a 735 campos de futebol) localizada na costa de Incheon, cidade que fica a 65 quilômetros da capital Seul. A localização não é à toa, muito menos aleatória. Distante 15 minutos do Aeroporto Internacional de Incheon, New Songdo alcança um terço da população mundial em pouco mais de três horas de voo. Mercados regionais como Rússia, China e Japão estão muito próximos, o que faz desta cidade o epicentro comercial asiático.

Na inauguração oficial, New Songdo terá 65 mil habitantes. Candidatos já estão na fila. O primeiro bloco com 2600 apartamentos foi posto à venda em 2006 e a procura foi de oito pessoas para cada apartamento. Outros 1000 apartamentos devem ser colocados à venda ainda este ano, e todos devem ser vendidos mesmo em tempos de crise. Além dos habitantes, 300 mil pessoas trabalharão na região.

Uma vida totalmente high-tech

A tecnologia de computação estará presente em Songdo tanto visível como invisivelmente. A cidade será o exemplo máximo de um estilo de vida totalmente digital, com todos os sistemas de informação de residências, empresas e serviços conectados. Estima-se que todas as casas terão centenas, até milhares de chips por onde diversos dados e informações circularão.

Por exemplo: em uma casa de um morador idoso, o chão terá sensores de pressão capazes de interpretar uma queda. No momento do acidente, a emergência é acionada automaticamente. Mesmo que a vítima esteja inconsciente, o socorro é chamado.

Em outras cidades ubíquas da Coreia, outros exemplos do que pode ser feito são descritos com um pouco mais de clareza. No caso de Dangton, informações sobre a qualidade da água, atmosfera e lixo, por exemplo, podem ser coletadas para análise a fim de determinar as condições sanitárias do ambiente.

No trânsito, as condições de tráfego podem ser determinadas, indicando a possibilidade de congestionamentos e recomendando rotas alternativas. Áreas de estacionamento são monitoradas e os motoristas são informados sobre a quantidade de vagas disponíveis e a localização delas. As ruas serão monitoradas por circuitos fechados de câmeras.

É importante ressaltar que ainda não se sabe quais tecnologias estarão, de fato, presentes na cidade. Mas há uma promessa repetida já há alguns anos pelos planejadores do distrito: o uso máximo da tecnologia RFID, ou seja, identificação por radiofrequência. É este tipo de tecnologia, por exemplo, que identifica uma garrafa de vidro depositada adequadamente para reciclagem e recompensa quem o fez.

Segundo John Kim, New Songdo oferece a proposta de ser uma porta de entrada para serviços. Parceiros do distrito testarão serviços para o mercado sem a necessidade de construir nada. Serviços que exigem, por exemplo, acesso a dados via rede sem fio. A Coreia sempre se destacou em tecnologias de telefonia celular. É o terceiro maior mercado da Ásia em número de assinantes e lá se encontram as mais avançadas redes 3G. O índice de banda larga é o maior do mundo. A Coreia quer continuar a tendência com um sistema extremamente avançado de RFID. Quase U$ 300 bilhões serão investidos em um centro de pesquisas sobre a tecnologia no distrito.

Segundo John Kim, tudo começa com um smart-card que pode ser usado para diversas coisas, desde abrir a porta de casa até pagar por serviços como metrô, estacionamento, cinema, empréstimo de uma bicicleta pública, enfim, uma infinidade de utilidades. A chave do smart-card é anônima, sem nenhuma relação com a identidade do portador e pode ser facilmente cancelada em caso de roubo. Neste caso, a trava da porta de uma casa é resetada.

Outra possibilidade do uso deste tipo de tecnologia é carregar diversas informações, como por exemplo o histórico médico, em um celular. Essas informações podem ser usadas para pagar medicamentos prescritos em uma farmácia.

Fato é que as possibilidades de uso de RFID são muitas. A infraestrutura do distrito será como uma plataforma de teste para novas tecnologias que poderão ou não servir como referência para metrópoles de todo mundo.

Ainda há a dúvida sobre o sucesso ou não de uma cidade inteiramente planejada, mas é inevitável que a RFID passe por um teste em larga escala, assim como tecnologias e dispositivos com sensores.

Outros atrativos da cidade

Songdo terá espaços para convenções e escritórios, hotéis de primeira classe, apartamentos e espaços comerciais como shoppings, restaurantes e opções para entretenimento. As instalações serão as mais modernas possíveis para hospitais, escolas e outras instituições de ensino.

A Escola Internacional de Songdo tem previsão de ser inaugurada em setembro próximo e promete a melhor educação desde o primário até o ensino médio em inglês a fim de preparar estudantes para faculdades e universidades do mundo todo. Já  o Complexo Acadêmico Global Yonsei Songdo será a universidade responsável por pesquisas e desenvolvimento da cidade. A previsão é de que a primeira fase da obra seja concluída em 2010.

A cidade terá atrativos inspirados em grandes pontos turísticos do mundo. O parque central terá o ar de Paris e do Central Park, em Nova Iorque. Já um canal aquático será inspirado em Veneza e a arquitetura do centro de convenções lembrará a Sydney Opera House, na Austrália.

Um campo de golfe desenhado por Jack Nicklaus também está em construção com planos para a realização de grandes eventos do esporte, incluindo uma etapa do circuito PGA.

No complexo econômico, uma torre de 68 andares será a mais alta e o centro empresarial mais avançado da Coreia. O Centro de Convenções tem enorme espaço interior, também o maior da Coreia.

Culturalmente, o Centro de Artes de Incheon oferece um complexo com hall para shows e óperas, museu de arte asiática contemporânea, conservatório de música, escola de design e uma biblioteca.

O Hospital Internacional da cidade de Songdo promete trazer a última palavra em diagnósticos médicos e tecnologias de tratamento. Os parceiros incluem Microsoft e 3M para o desenvolvimento desse centro médico.

O site oficial da cidade mostra uma perspectiva extremamente otimista: "Songdo vai oferecer uma qualidade de vida incomparável englobando todo atrativo cultural, tecnológico e recreacional, incluindo um hospital de primeira classe, uma escola internacional, um museu, um centro ecológico, parque central, campo de golfe e uma miríade de opções de comércio que incluem um shopping."

A sustentabilidade

Também no site de divulgação da cidade, a promessa é otimista: "os moradores de Songdo poderão dizer que moram em uma das metrópoles mais verdes do mundo." Songdo tem o projeto para ser uma das cidades mais verdes do planeta. Um programa de comprometimento de sustentabilidade com seis objetivos pretende determinar um novo padrão para design ambientalmente responsável para outros projetos de larga escala em todo o mundo. Todos os prédios deverão ter certificados de padrões internacionais de design e construção sustentáveis.

O canal do parque central usará água do mar, economizando milhões de litros de água potável por dia. O consumo de água potável por sistemas de encanamento será reduzido em até 40% dependendo do projeto utilizado. A água de chuvas será utilizada ao máximo devido ao tipo de clima e o padrão de quantidade de chuva da região. Essa água será mais bem aproveitada por telhados especialmente desenvolvidos, os quais também amenizarão o efeito estufa.

Uma instalação movida a gás natural vai fornecer energia limpa e água quente para toda a cidade. As luzes das ruas serão de LED, mais eficientes. Um sistema centralizado de coleta será instalado para coletar lixo seco e molhado, eliminando a necessidade de usar veículos para isso; e 75% do lixo dos materiais de construção de Songdo poderão ser reciclados. Materiais reciclados, além de materiais produzidos ou manufaturados localmente serão utilizados na maior extensão possível.

Cerca de 40% da cidade é de espaço aberto e todas as quadras levam pedestres a estes espaços. Todas as instalações terão, em contrato, determinações para utilizar métodos e oferecer produtos com nenhuma ou pouca emissão de carbono. Fumar será proibido em áreas públicas e prédios comerciais, exceto em áreas especiais para isso.

O transporte

Segundo os desenvolvedores do projeto, New Songdo terá como objetivo diminuir o uso de veículos automotivos, considerado grande responsável pela emissão de poluentes na Ásia. O transporte pelo distrito, incluindo metrô e ônibus, fornecerá acesso para residentes e visitantes. As paradas de ônibus estarão localizadas sempre a menos de 500 metros de todos os prédios residenciais ou comerciais. A extensão da linha de metrô de Incheon também ficará próxima de todas as áreas residenciais.

Nas ruas, 5% do espaço para estacionamento de cada quadra será destinado para veículos econômicos e com menor emissão de poluentes. Quadras comerciais terão mais 5% das vagas para carros com carona.

O sistema de estacionamento será subterrâneo ou coberto para minimizar o efeito de calor urbano e deixar mais espaço aberto para pedestres. Garagens terão integração com infraestrutura necessária para carregamento de veículos elétricos com objetivo de facilitar a transição para transportes de pouca emissão.

Uma rede de 25 km de pistas para bicicletas facilitarão e incentivarão o uso de transportes livres de carbono. Pistas para bicicletas serão extensamente disponibilizadas e será possível até mesmo alugar bicicletas públicas. Essas pistas serão adjacentes a todas as ruas principais.

No canal, táxis aquáticos serão implementados. Talvez não tão românticos quanto os de Veneza, mas eficientes ecologicamente.

Songdo é o que os planejadores chamam de "aerotrópolis". Uma ponte com inauguração prevista para outubro de 2009 ligará o distrito ao Aeroporto Internacional de Incheon em 15 minutos, podendo ser acessado também via metrô ou ônibus. Este aeroporto é um dos maiores do mundo, tanto em número de passageiros como em volume de carga. Incheon é o caminho para um terço da população do planeta em um voo de três horas e meia.

Um pólo econômico

New Songdo será uma área com incentivos para a economia - isenção  ou redução de impostos, por exemplo - e o objetivo de ser um distrito internacional de negócios. O inglês será o idioma oficial da cidade, e toda infraestrutura necessária estará disponível com centro de convenções e escolas internacionais.

Críticas à proposta

As críticas ao planejamento de New Songdo e o ceticismo em relação às promessas são grandes, desde a desconfiança sobre a real eficiência de tudo que está prometido até as preocupações com a privacidade. O U-City é um conceito que agradou os coreanos, mas o ocidente demonstra outra visão sobre a interação extrema entre homens e a tecnologia. Afinal, se é possível identificar que uma pessoa reciclou uma garrafa de vidro ou que ela caiu em casa, o que mais é possível deduzir ou descobrir através de chips?

Não somente em relação a esta cidade em construção, mas preocupações com privacidade são inerentes ao uso de chips para carregar informações e dados pessoais. Experiências tencológicas para uns, invasão de privacidade para outros. É fato que muitas das tecnológicas que serão colocadas à prova não serão desenvolvidas em Songdo, mas sim virão de outros países onde há obstáculos sociais para a implementação delas.

O próprio projeto da cidade gera ceticismo nos críticos. No planejamento, tudo é perfeito, tudo vai funcionar, tudo será diferente e este será o exemplo a ser seguido no mundo todo. Na prática... bem, só saberemos, no mínimo, quando a cidade estiver completa. No momento, escritórios do complexo empresarial estão abertos e em funcionamento, mas este é apenas o começo.

Se New Songdo é uma utopia de U$ 25 bilhões, ainda não se sabe, mas o projeto está andando. Algumas partes do distrito já funcionam, a ponte que liga o aeroporto deve ser concluída em outubro próximo e muitos prédios já estão erguidos.

Fonte: Site Baixaki

terça-feira, 25 de agosto de 2009

CIÊNCIA - Homo artisticus

MARCELO GLEISER

Homo artisticus


Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também



A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões de anos.
Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de 200 mil anos atrás, na África. Se concentrássemos 4,5 bilhões de anos em uma hora, nosso aparecimento teria ocorrido há menos de dois décimos de segundo. Somos a presença mais recente neste planeta e nos achamos donos dele. Algo para refletir.

Evidências fósseis e genéticas indicam que grandes migrações da África em direção à Eurásia e à Oceania ocorriam já há 70 mil anos. A fala, parece que tínhamos há pelo menos 50 mil anos. Dos 200 mil anos que marcam a nossa presença na Terra, há apenas 10 mil nós nos organizamos em sociedades agrárias, capazes de se sustentarem com o plantio e colheita regular de espécies de vegetais domesticados.

Certamente, quando essas sociedades começaram a se organizar, alguns animais também foram domesticados.

Antes dessas sociedades agrárias, bandos de homens e mulheres corriam pelas savanas africanas e planícies eurasiáticas à procura de alimentos e abrigo. Os perigos eram muitos, de animais predadores e grupos inimigos a fenômenos naturais violentos, como misteriosos vulcões e terremotos. Para sobreviver, nunca se podia baixar a guarda.

Desde cedo, ficou claro aos nossos antepassados que a natureza tinha seus próprios ritmos, alguns regulares e outros irregulares. A linguagem nasceu tanto para facilitar a sobrevivência dos grupos quanto para imitar os sons ouvidos pelo mundo, de cachoeiras e trovões aos pássaros e os temidos tigres. Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também.

Recentemente, foram descobertos os instrumentos musicais mais antigos, flautas feitas de ossos de abutres e mamutes, datando entre 35 mil e 40 mil anos atrás. Os objetos foram encontrados em uma região na Alemanha, provando que não só humanos haviam já saído da África então, como também haviam desenvolvido habilidades musicais e artesanais. Se o vento assobiava ao passar por frestas e galhos, se gotas caiam ritmicamente das folhas, os homens procuravam imitar esses sons, criando os instrumentos capazes de fazê-lo.

Apesar de não sabermos muito sobre os costumes dessa gente, é difícil evitar imagens, talvez um pouco românticas, do que ocorria então. A vida era difícil. Provavelmente poucos sobreviviam além dos 20 anos. Mas imagino que existisse uma abundância enorme de animais nos campos, mares e rios. Pinturas nas cavernas da Europa e da África, algumas datando de mais de 20 mil anos atrás, mostram uma enorme variedade de animais e também de cenas de caçadas e de rituais. Provavelmente grupos se reuniam nas cavernas para comer, dormir e celebrar uma boa caça. As pinturas podiam ser tanto ornamentos quanto desenhos ritualísticos que faziam parte de cerimônias religiosas.

Certamente o som das flautas e dos tambores acompanhava os rituais, talvez até na tentativa de imitar os grunhidos dos animais e os sons do ambiente natural onde viviam.

A música e a pintura não eram as únicas expressões artísticas dessas sociedades ancestrais. A escultura também. Figurinos conhecidos como Vênus do Paleolítico, datando de mais de 25 mil anos, mostram o corpo de mulheres bem dotadas de estrogênio, provavelmente símbolos de fertilidade. O impulso criativo parece ser tão antigo quanto a nossa espécie.

Do pouco que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo -e não em guerra com ele.


MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "A Harmonia do Mundo"

Fonte – Folha de São Paulo – Caderno "Mais" – 23/agosto/2009


TECNOLOGIA - Ponto de encontro

Pesquisa FAPESP
Edição 147 - Maio 2008
Ciência > Capa
Ponto de encontro
Quase 10 mil pesquisadores, entre eles 68 brasileiros, fazem os ajustes finais no maior acelerador de partículas do mundo
Ricardo Zorzetto, de Genebra

No domingo 6 de abril a cidade ainda dormia quando o bonde parou pontualmente às 8h28 da manhã na estação central de Genebra. Em poucos segundos, dezenas de pessoas apressadas lotaram seus vagões, rumo ao Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern), laboratório internacional de física liderado por 20 países da Europa, nos arredores da capital dos relógios suíços. Ao chegar ao imenso globo de madeira à entrada do Cern, o pequeno grupo se somou a uma multidão de pessoas de línguas e países diferentes que aguardavam a abertura dos portões. Nem o vento, nem os 9 graus da primavera suíça os haviam impedido de trocar o conforto de suas casas aquecidas por horas de espera em longas filas ao ar livre. Ninguém queria perder a última chance de conhecer a caverna.

Situada 100 metros abaixo da superfície, a caverna em questão nada tem a ver com os montes Jura, que se erguem a oeste do Cern, na fronteira da Suíça com a França, onde 2 séculos atrás o naturalista alemão Alexander von Humboldt encontrou fósseis de animais do período geológico que chamou de Jurássico. A caverna que todos queriam ver é uma das mais imponentes obras criadas pelo ser humano: um túnel circular com 27 quilômetros de extensão que abriga o Large Hadron Collider (LHC), o maior acelerador de partículas do mundo, que começa a funcionar nos próximos meses. Quando finalmente for ligado em julho ou agosto deste ano, após quase 2 décadas de planejamento, construção e atrasos, esse equipamento deve permitir aos 10 mil físicos e engenheiros que trabalham no Cern – entre eles 68 brasileiros – compreender melhor como a natureza se comporta num espaço infinitamente pequeno, bilhões de vezes menor que um grão de areia.

Antes de fechar o acesso ao túnel, os pesquisadores interromperam os trabalhos de rotina e os ajustes finais dos equipamentos no início de abril para outra atividade importante, repetida de tempos em tempos: mostrar ao mundo como foram investidos os quase US$ 9 bilhões consumidos de 1993 até agora na fabricação e montagem do LHC. "Eles sabem vender o peixe", comentou o físico brasileiro Sandro Fonseca, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), durante uma caminhada pelos corredores do Cern, onde atualmente desenvolve seu trabalho de doutorado. "O cidadão europeu que paga impostos vem passear e ver como seu dinheiro foi empregado."

No primeiro domingo de abril 53 mil pessoas, um décimo da população de Genebra e cidades vizinhas, atravessaram os portões do maior laboratório de física de partículas do mundo. Assistiram a vídeos e palestras sobre o novo acelerador e receberam explicações sobre avanços que a física proporcionou a áreas como a medicina, a exemplo da tomografia, que permite fazer imagens de órgãos em funcionamento, ou as telecomunicações – em 1989 Tim Berners-Lee desenvolveu no Cern o sistema de comunicação world wide web, que tornou a internet acessível ao público.

Quem deixou para trás o habitual almoço em família pôde também visitar o museu de ciências Microcosmo e até mesmo conhecer o quartel-general do Cern: o centro de controle inaugurado em março, de onde serão monitorados oito aceleradores de partículas – o LHC é o mais novo e mais potente. "Aqui não há nada a esconder", disse o engenheiro inglês Terry Pritchard, que durante anos desenvolveu e testou componentes eletrônicos para o LHC e, atualmente aposentado, guiou a visita de jornalistas. 

Na caverna - Das 53 mil pessoas que foram ao Cern, 20 mil desceram à caverna. E se impressionaram com o que viram. Entre espessas paredes de concreto, uma sucessão de 1.624 tubos azuis e brancos, cada um com 14 metros de comprimento e 1 de diâmetro, enfileiravam-se em seqüência formando um anel de 27 quilômetros. No interior desses tubos, dois feixes de partículas mais finos que um fio de cabelo viajarão em sentidos opostos a velocidades próximas à da luz (300 mil quilômetros por segundo).

Guiadas por potentes eletroímãs resfriados a -271°C, as partículas percorrerão na maior parte do tempo trajetórias paralelas. Em quatro pontos do anel, porém, seus caminhos se cruzarão e, como nuvens de uma tempestade, amontoados de 100 bilhões de partículas de carga positiva (prótons) encontrarão outros 100 bilhões vindos em direção contrária. Apesar desse número de prótons, apenas 20 colisões devem ocorrer quando uma nuvem passar pela outra. Por isso é preciso fazer essas nuvens colidirem milhões de vezes por segundo para gerar um número de choques elevado o suficiente para ser analisado pelos físicos.

Ao lançar um próton contra outro a velocidades altíssimas e um nível absurdamente elevado de energia (7 trilhões de elétrons-volt ou teraelétrons-volt, TeV), os pesquisadores esperam fragmentá-los em seus componentes mais fundamentais: os quarks, partículas menores e indivisíveis formadoras da matéria; e os bósons, partículas responsáveis pela transmissão de três das quatro forças da natureza (eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca), que mantêm os quarks unidos em blocos maiores de matéria.

Essas partículas – um total de 48, sendo 36 de matéria e 12 de carregadoras de força – estão previstas no Modelo Padrão, o conjunto de teorias desenvolvidas nos últimos 50 anos para explicar o comportamento da matéria no nível submicroscópico. Mas nem todas foram observadas experimentalmente. Acredita-se que a maior parte delas – à exceção de quatro ou cinco mais estáveis – seja extremamente fugaz e se transforme em outras partículas tão logo criadas. Com partículas escapando entre os dedos, os físicos ficam na dúvida: ou a teoria não representa suficientemente bem a realidade e algumas partículas de fato não existem, ou apenas não havia sido criada até o momento uma máquina poderosa o suficiente para encontrá-las.

"É consenso que o Modelo Padrão é bom", diz Arthur Maciel, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro, membro de uma das equipes do Cern. "Mas não explica tudo. Talvez ele seja apenas uma boa aproximação de algo mais completo que não conhecemos." Atrás da resposta, pesquisadores do mundo todo não vêem a hora de os prótons começarem a colidir dezenas de metros abaixo dos campos e plantações nos arredores de Genebra.

As apostas são de que o LHC seja a tão aguardada máquina. Ainda que esse acelerador forneça energia suficiente para espatifar os prótons e resolver essas questões – o choque entre dois prótons resultará numa energia de 14 TeV, elevadíssima para uma partícula, mas insuficiente para ligar um celular por mais que alguns segundos –, os físicos terão muito trabalho antes de confirmar se encontraram o que buscavam. 

Como as partículas fun­damentais são instáveis e em frações de segundo originam outras gerações de partículas, os pesquisadores se valem de gigantescos aparelhos chamados detectores para saber o que se passou no local da colisão. Com forma de barril ou de cilindro, os detectores são construídos ao redor do ponto em que ocorre o cho­que e são compostos por quatro camadas de materiais distintos que registram a energia e a velocidade das partículas que os atravessam, além do caminho percorrido.

Com base nesses dados, calculam outras propriedades como a massa e a carga elétrica. Mas têm de trilhar o caminho inverso feito pela segunda ou terceira geração de partículas – do ponto em que desaparecem àquele em que surgem –, para descobrir quais foram as geradas inicialmente na colisão. "É uma espécie de engenharia reversa", comenta o físico Dílson de Jesus Damião, da equipe de Alberto Santoro na UERJ, que desenvolve seu doutorado no Cern.

No LHC são quatro os principais detectores. Dois deles, o maior, Atlas, com 46 metros de comprimento, 25 de altura e 7 mil toneladas, e o mais pesado, o Compact Muon Solenoid (CMS), 21 metros de comprimento, 12 de altura e 12,5 mil toneladas, se encarregarão de analisar os choques entre prótons em busca de partículas ainda não encontradas do Modelo Padrão e fenômenos desconhecidos da física. Já o Alice, acrônimo de A Large Ion Collider Experiment, funcionará apenas 3 meses por ano para analisar o resultado do choque de partículas mais pesadas (núcleos do elemento químico chumbo) e verificar a existência de um quinto estado da matéria: o plasma de quarks e glúons. 

Formado por dois tipos de partículas elementares – os quarks, partículas de matéria, e os glúons, partículas que carregam força –, esse plasma só deve existir a temperaturas elevadíssimas como as produzidas nos primeiros instantes após o Big Bang, a explosão que teria originado o espaço e o próprio tempo 13,7 bilhões de anos atrás. Depois de criada, essa sopa primordial de partículas teria existido por uma ínfima fração de segundo, num período que o Universo era muito quente e pequeno: sua temperatura chegava a 1 quatrilhão de graus – hoje é de -270°C – e se estendia por apenas 300 milhões de quilômetros, quase nada ante os atuais 117 sextilhões de quilômetros.  

Velha conhecida - Um detector de dimensões mais modestas, o LHCb, investigará especificamente a desintegração de partículas elementares de matéria chamadas méson B em outras partículas. O objetivo é tentar compreender por que no Universo a quantidade de matéria é diferente da de antimatéria, formada por partículas de mesma massa, com cargas opostas e sentido de rotação contrário. "Os valores que outros dois experimentos, o BaBar e o Belle, já mediram não justificam a diferença observada no Universo", explica o engenheiro eletrônico Rafael Nóbrega, que faz doutorado no Instituto Nacional de Física Nuclear de Roma e passou os últimos meses testando 15 mil chips e 1.400 câmaras de um  sistema de detecção do LHCb que registra eventos de bilionésimos de segundo.

À medida que se aproxima a inauguração do novo acelerador do Cern, uma partícula em especial ganhou as páginas de jornais e revistas do mundo todo, a ponto de já ser tratada quase como uma velha conhecida: o bóson de Higgs. Talvez até se justifique o frisson, embora o estardalhaço tenha incomodado a comunidade dos físicos, em especial depois que o norte-americano Leon Lederman, que recebeu o Nobel de Física de 1988, chamou-a de partícula Deus no livro The God particle: if the Universe is the answer, what is the question?, publicado em 2006.

Proposta pelo físico escocês Peter Higgs em 1964, essa partícula de interação, se encontrada, explicará a massa de todas as outras partículas elementares – ou por que algumas têm massa e outras não. "Os [físicos] teóricos se divertem discutindo o que seria pior: descobrir o bóson de Higgs com as propriedades previstas pelo Modelo Padrão ou descobrir que não há bóson de Higgs", escreveu o físico inglês John Ellis, do Cern, em artigo publicado em julho de 2007 em um especial da Nature sobre o LHC. O primeiro caso representaria mais um sucesso dessa teoria, até o momento aprovada em todos os testes a que foi submetida, mas não traria nada de novo para a física. Se essa partícula não existir, o Modelo Padrão estará condenado, e os físicos terão de justificar o resultado aos políticos que apoiaram o financiamento do LHC. "Seja qual for o caminho que a natureza escolher, a boa notícia é que o LHC nos dará uma resposta experimental definitiva e porá fim às especulações", afirmou Ellis.

"A física se tornará mais interessante se o bóson de Higgs não for encontrado, porque teremos de repensar tudo o que foi feito até agora", comentou o físico brasileiro Roberto Salmeron, que vive em Paris e fala com a experiência de quem viu nascer boa parte da física moderna. Último assistente brasileiro do italiano Gleb Wataghin, que formou a primeira geração de físicos no Brasil, Salmeron foi trabalhar em 1956 no Cern, 2 anos após sua fundação. "O Prêmio Nobel Patrick Blackett, meu orientador na Universidade de Manchester, sugeriu ao Cern convidar físicos que estudavam raios cósmicos para pensar experimentos a serem feitos, quando o primeiro acelerador estivesse pronto", disse. "No início do Cern trabalhávamos em barracas de madeira emprestadas pelo aeroporto de Genebra."

Em vez de barracos, hoje se assentam nos arredores da cidade centenas de prédios de poucos andares, que não dão o menor sinal de que abaixo da superfície pesquisadores investigam os fenômenos mais íntimos da matéria. O início do funcionamento do LHC representa a concretização de um sonho de pelo menos 3 décadas. Antes mesmo de o antigo acelerador entrar em funcionamento, os pesquisadores europeus já imaginavam substituí-lo por um equipamento maior e mais poderoso, razão por que insistiram na construção de um túnel tão extenso. A idéia ganhou força em meados da década de 1980, quando o grupo de planejamento de longo prazo do Cern – chefiado pelo italiano Carlo Rubbia, que compartilhou o Nobel de Física de 1984 pela descoberta das partículas carreadoras da força nuclear fraca (os bósons W e Z) – sugeriu que esta seria uma forma saudável de a física de partículas européia se manter competitiva diante da norte-americana. Na época os Estados Unidos pretendiam construir por conta própria o Superconducting Super Collider (SSC), um acelerador mais caro e cerca de seis vezes mais potente que o LHC. Mas o projeto foi cancelado em 1993 depois de o Congresso impor cortes ao financiamento. Os norte-americanos correram atrás de cooperações internacionais que haviam recusado anteriormente, mas não obtiveram sucesso. Era tarde demais.

O poder de convencimento de Rubbia e palestras realizadas em diversos países da Europa criaram um ambiente favorável à construção do LHC. A extinção do SSC levou especialistas norte-americanos a recomendarem ao governo dos Estados Unidos a adesão ao projeto do novo acelerador do Cern, que também recebeu apoio da Rús­sia, do Japão e da Índia, conta Chris Llewellyn Smith, diretor do Cern de 1994 a 1998, no especial da Nature.

Não foi a primeira vez que um projeto colaborativo multinacional prevaleceu sobre iniciativas individuais de países. Aliás, a união de esforços está na própria origem do Cern. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou em 1945, a Europa estava arrasada do ponto de vista econômico e social, e alguns de seus mais importantes pesquisadores haviam migrado para os Estados Unidos. "Em uma conferência em 1949 em Lausanne, Suíça, o Prêmio Nobel de Física francês Louis de Broglie propôs a criação de laboratórios compartilhados pelos países europeus para reerguer a atividade científica no continente", conta Salmeron. 

Outros dois físicos, o francês Pierre Auger e o italiano Edoardo Amaldi, gos­­­taram da idéia e batalharam pela criação de um laboratório de física de partículas. "Amaldi, que tinha uma rara visão global da ciência e do seu impacto na sociedade, sugeriu a filosofia de comportamento do Cern, seguida desde a origem: um laboratório aberto a todos os países, sem atividade secreta nem influência militar", disse Salmeron, cuja atuação nos últimos anos tem sido fundamental para a participação dos brasileiros no LHC. 

Instabilidade - Com prestígio no país e no exterior, Salmeron coordenou anos atrás as negociações entre o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) que resultaram em um orçamento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2 milhões) por ano durante 5 anos  – a última parcela deve ser paga em julho deste ano. "Foi concedido apenas R$ 1,8 milhão, suficiente para pagar passagens, estadia e anuidades, mas não para produzir equipamentos", comentou Salmeron, inconformado com o fato de o Brasil ter perdido para o Paquistão a chance de fabricar componentes de um eletroímã do Cern. Segundo Salmeron, a participação brasileira só não é comprometida por causa da boa vontade de grupos amigos no exterior, que financiam os brasileiros.

Ele não é o único a se queixar da falta de apoio consistente e constante do governo federal à física de partículas. Coordenadores das equipes brasileiras no Cern afirmaram que a falta de planejamento nacional de longo prazo gera uma instabilidade prejudicial à área. "Tudo funciona à base de pedidos de financiamento individuais", diz Jun Takahashi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que trabalha no detector Alice. "Num experimento desse porte, não pode haver incerteza."

Fernando Marroquim de Almeida, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), comenta: "Há quase 20 anos trabalho no detector Atlas e todo ano tenho de ir ao CNPq pedir dinheiro e explicar o que faço. Pelo visto, o governo não quer comprometimento de longo prazo. A direção do Cern cobra do Brasil um memorando de entendimento, já assinado por países menores e mais pobres, como o Marrocos, o Chile, o Arzebaijão e a Polônia".

"Há anos temos um acordo de colaboração, que precisa ser renovado oportunamente (o último convênio de cooperação foi assinado em 2006)", afirma José Roberto Drugowich de Felício, diretor de programas horizontais do CNPq. A agência mantém duas linhas de apoio: uma relacionada às taxas de manutenção e operação e outra para cobrir gastos com a construção de equipamentos. "De 1999 a 2004 o CNPq pagou R$ 1,2 milhão para a construção de um equipamento para o detector Atlas", conta. "Além disso, temos apoiado os grupos de pesquisa com bolsas de doutorado sanduíche com duração de 2 anos, em vez de 1, como o normal."

A ausência de planejamento em nível nacional também pode comprometer o impacto do trabalho brasileiro nesse projeto, afirma a física Renata Funchal, da Universidade de São Paulo (USP), que anos atrás participou de uma equipe francesa que trabalhava no antigo acelerador do Cern. "A comunidade brasileira é pequena e se pulverizou nos quatro experimentos do LHC, enquanto, nesses programas grandes, os Estados Unidos e os países da Europa mantêm uma política agressiva e direcional, focando a participação em um ou outro experimento", comenta Renata. 

Ainda assim o país atua de modo efetivo no projeto Cern. Na UFRJ, a equipe de Marroquim desenvolveu chips que foram produzidos e testados por duas empresas paulistas e estão instalados no detector Atlas. 

Também no Rio e em São Paulo os grupos de Alberto Santoro, da UERJ, Alejandro Szanto Toledo e Marcelo Munhoz, da USP, e Sergio Novaes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), implantaram no país um complexo computacional que equivale a mil computadores trabalhando em rede, ligados entre si e ao Cern por conexões ultra-rápidas de internet. "Assim, o dinheiro investido e o conhecimento gerado ficam no Brasil e contribuímos de forma efetiva para analisar os dados do Cern", afirma Novaes.

Não são apenas partículas e possivelmente física desconhecida que devem surgir nos arredores de Genebra. "Há um ganho importante, difícil de medir, que é o educacional, obtido só nesse tipo de colaboração", afirma Taka­hashi. "Meus alunos trabalham em cooperação com mil pessoas de forma produtiva, aprendem programação em linguagem avançada e depois vão para empresas nacionais." 


Euclides da Cunha: um escritor nascido nas páginas do jornal

Enviado a Canudos pelo 'Estado', autor de 'Os Sertões' fez da experiência a matéria-prima de sua obra maior

SÃO PAULO - Caderno especial do Estado resume o colóquio Euclides da Cunha 360º - a Obra e o Legado de Um Intérprete do Brasil, promovido, entre outras ações, para marcar o centenário de morte do autor de Os Sertões. Euclides tinha em alta conta o seu vínculo com o jornal. Em uma de suas cartas, escreveu: "Nasci espiritualmente na Província de São Paulo (nome do Estado, fundado em 1875, durante a monarquia) e nunca me desliguei do seu destino." Jovem, Euclides colaborou com o jornal sob o pseudônimo de Proudhon. Mais tarde, preocupado com os rebeldes de Canudos, escreveu dois artigos intitulados de "A Nossa Vendeia", em 1897. No mesmo ano, Julio Mesquita convidou-o para cobrir a guerra como correspondente. Os despachos que, nessa condição, enviou para o jornal estão na origem de sua obra-prima, lançada em 1902.

Desde então, nunca se parou de falar e escrever sobre Os Sertões. Mas claro que datas redondas mereceram menções especiais - inclusive também, naturalmente, no Estado. Assim, em 1952, no cinquentenário de publicação de Os Sertões, o jornal estampou em suas páginas um extenso artigo de seu então diretor, o jornalista e político Plínio Barreto, que inicia com as seguintes palavras: "Meio século faz que a gente letrada do Brasil foi surpreendida com o jorro de um vulcão nas principais livrarias. Esse vulcão irrompeu na forma de livro e esse livro, Os Sertões, até hoje ainda espanta as novas gerações pelo vigor da sua linguagem, pelo deslumbramento dos cenários que descreve e pela singularidade dos homens e dos quadros que apresenta."

Em 22 de janeiro de 1966, por ocasião do centenário de nascimento do autor, o Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo consagrou sua edição a Euclides. O caderno publicou, por exemplo, um alentado artigo de Dante Moreira Leite, intitulado "A Psicologia Social de Os Sertões", discutindo, entre outras questões, o processo de autoconhecimento de Euclides - que estaria na base da escritura de sua obra máxima. Conhecimento de si e, acima de tudo, de um Brasil que ele ignorava ao partir para o Nordeste. A 'conversão' de Euclides, ao se deparar com uma situação que desconhecia, só poderia chamar a atenção do extraordinário psicólogo social que foi Dante Moreira Leite. A edição trazia ainda a transcrição de seis cartas de Euclides. Havia também um curioso artigo de Hugo Stenssoro relacionando o escritor de Os Sertões a Sarmiento (autor de Facundo), por meio de um paralelo entre o Conselheiro e o caudilho Facundo Quiroga, biografado pelo argentino Sarmiento.

Nos 70 anos de Os Sertões, o Suplemento Literário voltou a contemplar em suas páginas uma homenagem à obra, desta vez com um longo artigo de Walnice Nogueira Galvão, publicado em cinco semanas sucessivas, a partir de 21 de maio de 1972, que aproximava o livro de Euclides da Cunha de Os Jagunços, de Afonso Arinos. Sem compará-los quanto à qualidade e conquistas literárias, Walnice sublinhava pontos comuns às duas obras. A começar pelo fato de ambas terem nascido de solicitações de órgãos de imprensa. A de Euclides, para o Estado, na forma de reportagens; a de Afonso Arinos, um romance, publicado em série n'O Comércio de São Paulo.

Em 23 de maio de 1993 circulou um Caderno Cultura Especial, que não estava ligado a nenhuma efeméride, mas assinalava o fato de Roberto Ventura ter dado início à sua sperada biografia de Euclides da Cunha, que, todos julgavam, seria a definitiva. Em entrevista, Ventura dizia que encarava Euclides basicamente como um idealista da ciência e do progresso. "Ele não tem o ceticismo irônico de um Machado de Assis ou a visão cáustica de um Lima Barreto; foi um adepto do progresso finissecular", comentou. Assim, Euclides teria aderido à República por considerá-la uma etapa inevitável para superação do atraso representado pela Monarquia. Infelizmente, Roberto Ventura não pôde concluir seu trabalho - morreu num acidente automobilístico em agosto de 2002. No entanto, o material que deixou foi publicado no ano seguinte sob o título de Euclides da Cunha - Esboço Biográfico (Companhia das Letras).

Naquela mesma edição, Gilles Lapouge comentava a edição francesa de Os Sertões, batizado na França como Hautes Terres. A tradução fora feita por Antoine Seel e pelo brasileiro Jorge Coli. O texto de Lapouge, reproduzido pelo Estado, saiu originalmente como resenha no cotidiano francês Le Monde. Escreveu Lapouge, em seu estilo muito particular: ''O livro é belo como o olhar cego de um vidente.''

Em 21 de setembro de 1997, o Estado assinalou que exatamente um século antes publicava despacho do seu correspondente de guerra, que chegara à região de Canudos. O artigo vinha da localidade de Tanquinho e começava desta forma: "São dez horas da noite. Traço rapidamente estas notas sob a ramagem opulenta de um joazeiro, enquanto, em torno, todo o acampamento dorme." O texto, histórico, foi o primeiro dos 25 escritos para o jornal e que serviram de base para compor Os Sertões. Os quatro últimos saíram outra vez no jornal exatamente quando completavam um século: nos dias 21, 22, 26 e 27 de setembro de 1997.

O Caderno 2 de 5 de outubro de 1997 marcou os 100 anos da derrota de Canudos, quando caíram os quatro últimos defensores do arraial, cercados por milhares de soldados. Em seu texto, Carlos Soulié do Amaral afirmava que dois homens deram impulso à carreira do grande narrador dessa tragédia: Julio Mesquita "fazendo-o repórter e incentivando-o a escrever Os Sertões; e o Barão do Rio Branco, apoiando sua candidatura à Academia Brasileira de Letras e encarregando-o de uma expedição à cabeceira do Rio Purus, no Acre". Em artigo na mesma edição, o historiador José Carlos Sebe Bom Meihy falava da insuficiência de estudos sobre Canudos, em especial sobre a religiosidade do Conselheiro: "Sem entendimento da espiritualidade assumida pelos conselheiristas estaremos repetindo a tradição presentificadora e externa àquela comunidade."

Em 1º/12/2002, o caderno Cultura publicou uma edição comemorativa dos 100 anos de lançamento de Os Sertões. Vários articulistas escreveram sobre a obra e outros foram entrevistados, como foi o caso de Walnice Nogueira Galvão, já então consagrada como a maior especialista em Euclides da Cunha. Para aquele suplemento porém o jornal não convocou apenas pesquisadores e exegetas euclidianos: autores de ficção foram estimulados a escrever a respeito da influência do livro sobre suas próprias obras. João Ubaldo Ribeiro, Milton Hatoum, Antônio Torres, Deonísio da Silva, Luiz Antonio de Assis Brasil e Rachel de Queiroz responderam a cinco perguntas propostas pelo jornal: quando haviam entrado em contato com o livro, em que medida sentiam-se influenciados por ele, se achavam que Os Sertões ajuda ainda a pensar o País, a quem recomendariam a leitura da obra e se tinham algum trecho preferido dela.

Algumas opiniões chamavam a atenção: o trecho preferido de João Ubaldo é a abertura, que muitos consideram árida, "por causa da imponente descrição da terra". Antônio Torres comentou que, ao contrário de Ubaldo, quando leu pela primeira vez o livro achou chata a primeira parte do livro, A Terra. Pulou para a segunda, O Homem: "Aí, foi um deslumbramento." Rachel de Queiroz, então cronista do Estado e autora de O Quinze, livro emblemático sobre a seca, preferiu dar um depoimento em lugar de responder às perguntas propostas pelo Cultura. Nele, enfatizava que "Os Sertões foi o primeiro livro que trouxe à consciência do País uma imagem do interior do Nordeste". Não bastassem todas as suas contribuições socioculturais, como o colóquio Euclides da Cunha 360º ratificou, a obra euclidiana também abriu caminhos para a literatura regionalista, que explodiria nos anos 1930.

CRONOLOGIA

1866 Nasce em Cantagalo (RJ), no dia 20 de janeiro, Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, filho de Manuel Rodrigues Pimenta da Cunha e Eudóxia Moreira da Cunha. Perde a mãe aos 3 anos de idade

1877-1878 Estuda no Colégio Bahia, em Salvador

1879 Volta para o Rio

1885 Cursa a Escola Politécnica do Rio de Janeiro

1886 Assenta praça na Escola Militar, na Praia Vermelha

1888 Republicano, atira o sabre ao chão durante a visita do ministro da Guerra à Escola Militar. É preso e transferido para a Fortaleza de Santa Cruz, onde aguarda Conselho de Guerra. É perdoado por d. Pedro II. Em 22 de dezembro, dá início à sua colaboração no jornal A Província de São Paulo, escrevendo o artigo "A Pátria e a Dinastia"

1889 Depois de proclamada a República, é reintegrado à Escola Militar

1890 Casa-se com Ana Emilia Ribeiro

1892 Conclui o curso na Escola Superior de Guerra

1896 Desencanta-se com a República e abandona a carreira militar. É efetivado na Superintendência de Obras Públicas do Estado de São Paulo como engenheiro

1897 Preocupado com a revolta de Canudos, escreve dois artigos para O Estado de S. Paulo intitulados "A Nossa Vendeia". Julio Mesquita convida-o para cobrir a Guerra de Canudos como correspondente do jornal. Segue para a Bahia no dia 3 de agosto, a bordo do vapor Espírito Santo. Assiste à carnificina das batalhas. Em 26 de outubro, publica no Estado o último dos seus despachos da série "Diário de Uma Expedição"

1898 Muda-se para São José do Rio Pardo (SP), onde supervisiona a reconstrução de uma ponte e redige, nos três anos seguintes, sua obra Os Sertões

1902 Publica o livro pela Editora Laemmert, do Rio, com tiragem de 1200 exemplares. Os Sertões chega às livrarias em 2 de dezembro; no dia seguinte, ganha resenha favorável no jornal carioca Correio da Manhã, assinada pelo crítico José Veríssimo

1903 Eleito para a Academia Brasileira de Letras

1904 É nomeado, pelo barão do Rio Branco, chefe da Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus. Nessa condição, viaja para a Amazônia em dezembro e lá permanece todo o ano seguinte, regressando ao Rio apenas em janeiro de 1906

1907 Publica Contrastes e Confrontos

1909 Morre, no dia 15 de agosto, ao trocar tiros com Dilermando de Assis, amante de sua mulher

 ESTANTE

- Obras Completas (Nova Aguilar), organização de Paulo Roberto Pereira. Edição revista e ampliada. Lançamento previsto para setembro.

- Poesia Reunida (Editora Unesp), organização de Francisco Foot Hardman e Leopoldo Bernucci. Previsto para outubro.

- Os Sertões (EDIOURO). Ilustrada, nas livrarias.

- Os Sertões - Edição Crítica  (Ática), preparada por Walnice Galvão. Lançamento previsto para Setembro.

 

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

CINEMA - Cozinhas da América

Meryl Streep é Julia Child e Amy Adams é a escritora Julie Powell na comédia de Nora Ephron, Julie & Julia, que estreia no dia 16 de outubro.

 Antes de chefs como Ina, antes de Rachael, antes de Emeril, veio Julia, a mulher que mudou para sempre o modo como a América cozinha. Entretanto, em 1948, Julia Child (Meryl Streep) era apenas mais uma norte-americana vivendo na França. O trabalho do marido levou-os a Paris e, com sua disposição incansável, ela ansiava por algo com o qual se ocupar.

 Cinquenta anos depois, Julie Powell (Amy Adams) está frustrada com a sua vida.  Prestes a completar 30 anos, morando no Queens e trabalhando num cubículo de uma repartição pública enquanto suas amigas desfrutam de um sucesso cada vez maior, ela se agarra a um plano aparentemente insano para ter onde concentrar as suas energias. Julie decide passar exatamente um ano cozinhando todas as 524 receitas do livro de Julia Child, Mastering the Art of French Cooking (coescrito com Louise Bertholle e Simone Beck) – enquanto assina um blog sobre as suas experiências.

 A diretora, roteirista e produtora Nora Ephron mescla com perfeição essas duas histórias extraordinárias numa comédia que prova que, com as doses certas de paixão, obsessão e manteiga, você pode mudar a sua vida e realizar os seus sonhos.

 Columbia Pictures apresenta uma produção Easy There Tiger / Amy Robinson e Laurence Mark, um filme de Nora Ephron, Julie & Julia. O filme é estrelado por Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina e Linda Emond.  Dirigido por Nora Ephron, produzido por Laurence Mark, Nora Ephron, Amy Robinson e Eric Steel. O roteiro é de Nora Ephron, baseado nos livros Julie & Julia, de Julie Powell, e My Life in France, de Julia Child com Alex Prud'homme.  Os produtores executivos são Scott Rudin, Donald J. Lee, Jr. e Dana Stevens.  O diretor de fotografia é Stephen Goldblatt, ASC, BSC.  O desenhista de produção é Mark Ricker. O montador é Richard Marks, A.C.E. Os figurinos são de Ann Roth e a trilha é de Alexandre Desplat. 



Fonte: Sony Pictures/NEWS CINNAMON COMUNICAÇÃO

terça-feira, 18 de agosto de 2009

FOTOGRAFIA – PhotoImageBrazil conquista público

Por Agustín Carvalho
 
Entre os dias 11 e 13 de agosto/09, aconteceu no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, a 17ª PhotoImageBrazil, maior feira de negócios da América Latina que reúne e expõe as principais tendências de tecnologia e desenvolvimento de produtos de imagens. Uma boa oportunidade para curiosos e profissionais do ramo descobrir o que há de mais avançado na tecnologia digital, além de conhecer alguns dos fotógrafos, em atividade, mais importantes do mundo.

Durantes os três dias do evento, muitas coisas interessantes aconteceram. Além de conhecer um pouco mais da tecnologia usada em cada produto, os visitantes aproveitavam as demonstrações dos expositores para ver como tudo aquilo funcionava na prática. A PhotoImage, na verdade, funciona como um fórum, onde a troca de experiência e informação é seu maior legado. A linguagem dos debates é tão técnica, que para entender tudo, os visitantes que não a conhecem precisariam de um dicionário de termos técnicos sobre tecnologia digital.

A PhotoImage aproxima os maiores produtores de equipamentos fotográficos e de tecnologia digital de seus compradores, admiradores e curiosos. São milhares de produtos de todos os modelos, nacionalidades, e preços. Enquanto verificava algumas câmeras, eu perguntei para uma funcionária: quanto custa essa câmera? R$ 4.999,00 – respondeu ela. Segundo a expositora, aquela era uma das mais baratas. Quem sabe na próxima PhotoImage, eu consiga levar uma para casa.

Apesar de não terem levado nenhum equipamento para casa, muitos visitantes saíram da PhotoImage conhecendo mais sobre o universo da imagem, sendo esta digital ou não. Porém, uma das imagens que mais provocou 'frisson' foi a da apresentadora Renata Fan, da Band, enquanto ela permaneceu no stand da Samsung. Não apenas os homens queriam dar um selinho em Roberta. As mulheres faziam fila. Assim foi a PhotoImageBrazil2009: de imagens engraçadas e interessantes que vale a pena recordar.

Mestres da fotografia

O ponto alto do evento foi a realização do ForumPhotoImage, que aproximou os principais fotógrafos do mundo ao público. Enquanto a feira de negócios acontecia em cada stand, alguns privilegiados permaneciam no auditório, onde as palestras e os debates ocorriam.

Caso quisesse fazer parte de algum fórum, o visitante deveria desembolsar as seguintes quantias em dinheiro: R$ 398,00 (apenas um dia de fórum), R$ 796,00 (dois dias) ou R$ 1.075,00 (para os três dias). Quem não conseguiu realizar as inscrições por causa do valor, ou porque não havia mais vagas, não se preocupe. Em 2010 terá mais PhotoImageBrazil.

No primeiro dia do fórum (11/08), intitulado "Casamento de A a Z", os fotógrafos Marcos Bell (Austrália – Tecnologias & Tendências na Fotografia de Casamento), Fabrício Bolfarini (Brasil – Câmera na Mão & Dinheiro no Bolso) e Everton Rosa (Brasil – A Arte de Relacionar-se) marcaram presença.

No segundo dia (12/08), sobre o tema "Foto em Foco", foi a vez de Mark Seliger (NYC/USA – As Celebridades através das Lentes de Mark Seliger), Thomas Muemken (Regensdorf/Suíça – Impressão Digital no Mercado Europeu sob a visão da Indústria), George Uenishi (NYC/USA – Impressão Digital no Mercado Norte-americano sob a visão do Printer) e Marcio Scavone (Brasil – Scavone desvenda o portrait no Estúdio).

 

"Estúdio em Foco", tema do último dia da fórum, teve Bob Wolfenson (Brasil – No Estúdio com Bob).  Essa foi uma verdadeira aula de como produzir um ensaio fotográfico de moda em um estúdio. Além de Bob, Mark Seliger e Marcio Scavone também participaram de um Jam Session – Sessão Especial, que marcou o término do ForumPhotoImageBrazil09.

 

Em relação ao conteúdo dos fóruns e das apresentações de alguns expositores, o evento foi um sucesso. Sucesso também de público e de negócios. A 17ª PhotoImageBrazil mostrou mais uma vez o porquê de sua grandiosidade. Do Brasil e do mundo, visitantes e expositores falavam em um único idioma: o da fotografia.





CINEMA - É tudo verdade?

A 14a. edição do É Tudo Verdade –Festival Internacional de Documentários apresenta no começo de setembro pela primeira vez uma segunda mostra anual, reunindo os ciclos especiais e informativos. O evento acontece com entrada franca entre 31 de agosto e 7 de setembro, na Cinemateca Brasileira de São Paulo e de 4 a 12 de setembro no Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro.
 
Fundado e dirigido pelo crítico Amir Labaki, o É Tudo Verdade – 14o. Festival Internacional de Documentários é uma co-realização da Petrobras, CPFL Cultura, Centro Cultural Banco do Brasil, SESC-SP, Ministério da Cultura – Secretaria do Audiovisual, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, Riofilme e Cinemark, com apoio da Oi, da Imprensa Oficial, do Instituto Moreira Salles, da Cinemateca Brasileira e do Ministério da Cultura, através da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet) e FNC – Fundo Nacional de Cultura.
 
O cineasta francês Louis Malle (1932-1995) terá pela primeira vez no Brasil celebrada sua obra como documentarista, com a projeção de sete de suas produções não-ficcionais. Entre os destaques, dois episódios da série "A Índia Fantasma" (1969) e "Humano, Demasiadamente Humano" (1974). "O documentário é o continente submerso da obra de Malle", afirma Amir Labaki. "Só é possível compreender sua verdadeira contribuição para a arte cinematográfica conhecendo-se sua originalíssima produção não-ficcional".
 
Uma entrevista pública com o diretor Paulo César Saraceni comemora o cinquentenário do documentário curto "Arraial do Cabo" (1959), co-dirigido por ele e Mário Carneiro e considerado um dos precursores do Cinema Novo. Na época de seu lançamento, Glauber Rocha definiu o filme como "um dos primeiros sinais de vida do documentário brasileiro".
 
Dois documentários nacionais inéditos serão lançados dentro do ciclo O Estado das Coisas. "Fordlândia", de Daniel Augusto e Marinho Andrade, reconstitui a ascensão e queda da cidade erguida nos anos 1920, no Pará, visando acomodar os trabalhadores na exportação de látex. Por sua vez, "Ecos" de Pedro Henrique França e Guilherme Manechini. reconstitui a trágica trajetória de Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, eleito prefeito de Campinas (SP), em 2000, e assassinado em 10 de setembro de 2001, num crime até hoje misterioso e irresolvido.
 
Em "A President to Remember – In the Company of John F. Kennedy" (Um Presidente a Lembrar – Na Companhia de John F. Kennedy, 2008), Robert Drew sintetiza os grandes momentos que marcaram a liderança política de John Fitzgerald Kennedy, a quem filmou em clássicos do Cinema Direto como "Primárias" (1960). O cineasta uruguaio Gonzalo Arijon (Stranded) retorna ao festival com "Ojos Bien Abiertos" (Olhos Bem Abertos, 2009), uma viagem pela América do Sul sob liderança esquerdista hoje, inspirado pelo clássico de Eduardo Galeano "As Veias Abertas da América Latina".
 
Três documentários radiografam o passado e o presente do Irã. "The Queen and I" (A Rainha e eu, 2008), de Nahid Persson, acompanha o encontro no exílio da viúva do ex-xá do Irã, Farah Diba Pahlevi, e da cineasta, que militou em favor da deposição de Pahlevi mas teve de fugir do país com a ascensão do regime islâmico. "A People in the Shadows" (Um Povo nas Sombras, 2008), de Bani Khoshnoudi, apresenta em quatro capítulos o mosaico ultrafragmentado da Teerã pós-revolucionária. Uma reapresentação especial exibe "Letters to the President" (Cartas ao Presidente, 2008), em que Petr Lom revela os bastidores do primeiro governo do presidente ultrarradical Mahmoud Ahmadinejad, cuja polêmica reeleição em junho passado conduziu o Irã à maior crise política das últimas décadas.

Por fim, em "Capturing Reality – The Art of Documentary" (Capturando a Realidade – A Arte do Documentário, 2008), Pepita Ferrari entrevista 33 cineastas de catorze países e uma mesma paixão: o documentário. Entre os depoentes, Eduardo Coutinho, Errol Morris, Kevin Macdonald, Kim Longinotto, Nick Broomfield e Werner Herzog.
 
SERVIÇO
 
É Tudo Verdade 2009/Mostras Especiais-  14º Festival Internacional de Documentários
De 31 de agosto a 7 de setembro, na Cinemateca Brasileira em São Paulo, e de 4 a 12 de setembro no Instituto Moreira Salles no  Rio de Janeiro.
Direção: Amir Labaki
Realização: Petrobras, CPFL, Centro Cultural Banco do Brasil, SESC-SP, Ministério da Cultura –Secretaria do Audiovisual, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro, Riofilme e Cinemark, com apoio da Oi, da Imprensa Oficial, do Instituto Moreira Salles, da Cinemateca Brasileira e do Ministério da Cultura, através da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet) e FNC – Fundo Nacional de Cultura.
 
Fonte: ACals Comunicação

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Homem-macaco ou Homem-adão?

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